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Artigo de Opinião

27/02/2026 07:30

Porque sou pela MUDANÇA, compreendo o desencanto e a correspondente desconfiança dos Jóvens ante os Sistemas Políticos europeus.

Os jovens perceberam, mesmo que instintivamente, o colapso político europeu de a Política de Causas ter sido substituída por uma “política de interesses”. Viram a Partidocracia substituir-se à Democracia e limitar as Liberdades individuais. Assistiram às Oligarquias tornarem os Partidos seus dependentes e, no recrutamento de carreiristas, escolherem os respectivos dirigentes. Constatam como isto mediocratizou os Regimes Democráticos. Detectam como as “sociedades secretas” e os respectivos compromissos e cúmplices roubaram a transparência necessária para o Povo de facto ser Soberano.

Hoje, os próprios conceitos de “esquerda” e “direita” são uma grande confusão.

Da maneira de se sentar nos Parlamentos com séculos, o Clero e Nobreza à direita, Povo à esquerda. Depois, o advento do marxismo e a sua “solução” desastrada de expropriar tudo e mais alguma coisa, estatizando Bens e Serviços. Autointutolando-se “esquerda”, chamou de “direita” o que se lhe contraponha através da defesa da propriedade privada, da liberdade dos mercados e da institucionalização do pluralismo político e Liberdades Cívicas.

Em seguida, mesmo depois da II Guerra Mundial, ainda por algum tempo se mistificou, chamando “esquerda” à deriva autoritária comunista do marxismo.

Hoje, a grande questão é entre autoritarismo / totalitarismo do comunismo e dos vários modelos de extremas-direitas, por um lado, todos tratados como “fascistas” pelas generalização actual deste termo. Concretamente, o comunismo é hoje referido por “marxofascismo” em vários Autores modernos ao âmbito da Ciência Política.

E, do outro lado, uma visão pragmática da Política, no geral as denominadas “diferentes correntes democráticas”, que assentam no primado da Pessoa Humana, Seus Direitos, Liberdades e Garantias Fundamentais, bem como numa evolução do conceito “liberdade dos mercados”, hoje admitindo diferentes graus de intervenção do Poder político. Uma família diversificada que construiu a União Europeia e inclui conservadores democráticos, democratas-cristão, liberais, sociais-democratas e socialistas democráticos.

A Revolução Tranquila da Madeira é um exemplo da evolução neste pragmatismo político que dá prioridade às medidas que sejam consideradas as necessárias ao Bem Comum, independentemente de serem consideradas mais “conservadoras” ou mais “revolucionárias”, mais “à direita” ou mais “à esquerda”.

Eu não sou daqueles que acham que os jovens padecem de iletracia política, ou que estão desinteressados da Política.

O falhanço ético-carreirista de algumas organizações partidárias de Juventude - que não de Todos os que lá Militantes - obviamente criou sentimentos de distância por parte de muitos jovens. Mais, no caso português, afastou muitos de se ligarem aos dois Partidos do Sistema - PSD e PS - tornados situacionistas envelhecidos. Daí um certo sucesso, que não muito expressivo, quer da Iniciativa Liberal, quer do “Chega”. Já que, quanto às extremas esquerdas, o repúdio democrático é quase total.

Mas, cuidado, porque a Política também é feita de ciclos...

Como eu dizia, não acho que os Jovens padeçam de iletracia política ou que estejam “desinteressados”.

A questão é outra.

Hoje, comparado com há duas décadas atrás (há tão pouco tempo), bem como aferido pelo que tecnologicamente aí vem, há uma multiplicidade de Informação que, para ser mais acessível e ganhar em procura, veste-se de SPOT televisivo, nomeadamente pela via da digitalização.

É uma Cultura ou um Conhecimento que se limita a duas ou três frases, e rápido passa ao tema seguinte, tudo como que pregado a cuspo.

E, com a velocidade a que decorre, não dá tempo a PENSAR.

Pelo que ao Conhecimento muito pouco acresce. Pelo que, na Cultura, não há assimilação fundamentada. Há um VAZIO DE LEITURA que permitiria PARAR e REFLECTIR:

E os jovens merecem, têm todo o Direito, que se procure terapia para isto, criando novos modelos de incentivo à REFLEXÃO, quer no seio das Famílias, quer no Sistema Educativo, com um objectivo firme e digno de permitir a sobrevivência e aperfeiçoamento dos Regimes Democráticos.

Normalmente, os Jovens são Autênticos ao transmitir os Seus pontos de vista. A Pedagogia Democrática manda que também se Os oriente para a aceitação racional de outras opiniões, sem preconceitos, preparados para perceberem que há muitas Pessoas com uma experiência de vida positiva, dotadas de Conhecimento bastante e com interesse.

No fundo, a Família, a Escola, Jovens e os Cidadãos em geral, não podem falhar num ponto: a dialética resultante do normal e necessário “conflito de gerações”, tornar-se-á positiva sempre que existente e desenvolvida uma CULTURA DE RESPEITO MÚTUO.

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