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Artigo de Opinião

Médica Veterinária

12/04/2026 08:00

Estes são conceitos, que têm ganho maior destaque no nosso quotidiano, seja via imprensa ou via internet, seja por, lamentavelmente, alguma vez todos nos termos cruzado com este tipo de pessoas ou situações – que acontecem no plano pessoal, no trabalho, na política e noutros contextos. Resulta, porém, a presente reflexão da leitura do livro de Silvia Gongost intitulado de “Pessoas tóxicas”, porque, de facto, essas pessoas existem e nem sempre é claro identificá-las. Podem mesmo durar anos, a percepção de sinais e, pior, os seus efeitos nas vítimas! E, entretanto, vão-se destruindo tantas vidas, famílias, amizades, carreiras...

Estas pessoas, de acordo com a autora, têm comportamentos consistentes e variados, que passam sobretudo pela manipulação dos outros para alcançar os seus próprios objetivos; mas também pela vitimização (não assumem a responsabilidade dos próprios erros); e pela agressividade (ou passividade-agressividade, evitando o confronto direto). O resultado é sempre de sofrimento e de mal-estar emocional para quem lida com elas. É inevitável que não saturem qualquer ambiente com pessimismo e negatividade insuportável, dado que se focam sobretudo nos aspectos negativos, além de serem detratores críticos.

No contexto dos relacionamentos amorosos a toxicidade descobre-se por um desequilíbrio de poder e desrespeito pela vítima que se manifesta por controlo, manipulação emocional (Gaslighting), ciúme, humilhação, críticas, desvalorização do outro e ofensas. O resultado é um ambiente relacional de tensão, com a vítima a ter medo, tristeza e ansiedade. Saber, e conseguir, reconhecer estas situações tóxicas é o primeiro passo para evitar ou sair das mesmas. Uma forma “simples” de se identificar um relacionamento tóxico e doentio, é o facto de este não promover o crescimento da cumplicidade entre os envolvidos e de impedir, no indivíduo afetado, o seu bem-estar, determinação, autonomia, ânimo, motivação e evolução pessoal.

No trabalho, nem é necessário acusar o quanto prejudicam, as relações tóxicas, quer os trabalhadores quer o trabalho em si. Traduz-se, a toxicidade, em assédio laboral, “bilhardices”, críticas destrutivas, bullying, humilhações, sabotagem do trabalho do outro, entre outros sinais. O medo e a desmotivação instalam-se; a produtividade diminui e o absentismo aumenta. Para lidar com colegas ou chefias tóxicas, caso não seja possível evitá-los, há que os enfrentar assertivamente e estabelecer limites de aproximação e convivência e, tanto quanto possível, evitar absorver a negatividade destas pessoas.

Na família - onde o afeto deveria prevalecer - a toxicidade relacional pauta-se por disfuncionalidades, como críticas constantes, abusos físicos ou emocionais, ou negligência. O resultado são pessoas que crescem e vivem sem autoestima, e são depressivas ou revoltadas. Sim, mesmo na família, há que estabelecer limites e quando necessário, o afastamento pode ser a única forma de se preservar a saúde mental.

As relações interpessoais são fundamentais para o desenvolvimento de todos, e devem pautar-se por relações saudáveis, de apoio, de bem-estar, e não por comportamentos tóxicos que causam danos significativos a outras pessoas.

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