Por opção e necessidade tendo a acreditar na Humanidade e na sua boa-fé. Infelizmente, esta minha caraterística é posta em causa demasiadas vezes, nomeadamente no que à prática política diz respeito.
Não é segredo para ninguém, até porque tem vindo a ser legitimada há mais de uma década pelo voto popular, que a gestão JPP em Santa Cruz implementou um programa de apoios sociais como nunca existiu neste concelho. Os vários apoios na área da saúde, da educação, da habitação e da ajuda social aos mais vulneráveis têm sido uma marca da nossa política concelhia. Mas são também a resposta concreta a uma realidade regional que, apesar do repetido discurso de sucesso, tem criado desigualdade sociais, vulnerabilidades várias, e uma classe média cada vez mais empobrecida. Estes problemas não decorrem das políticas autárquicas, mas da falta de medidas macro de um Governo Regional que não tem conseguido responder, com eficácia, aos problemas e anseios dos madeirenses.
Enquanto autarcas e tendo por base os nossos parcos recursos, não podemos ignorar as dificuldades das famílias e, nesse sentido, os nossos programas sociais visam ajudar nas despesas com a educação dos jovens e crianças, nosso principal capital de futuro, ajudar as “vítimas” de um sistema de saúde regional em colapso, através do programa de apoio às pequenas cirurgias, e contribuir com as ajudas sociais do nosso Fundo Social de Emergência, o qual permite apoiar famílias em situação comprovada de carência e de vulnerabilidade socioeconómica, com especial atenção às famílias monoparentais, numerosas, em situação de desemprego, com doenças graves, tendo como objetivo primordial contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida.
Esta nossa opção política, primeiro foi criticada pela oposição, leia-se PSD, por serem, e cito, populistas, assistencialistas e por não combaterem os problemas de base. Acontece que os problemas de base não foram criados por nós, mas resultam da incapacidade governativa. Assim, depressa mudaram o discurso e agora, em vez de nos acusarem de populistas, olham para os nossos programas sociais e dizem que deveríamos ir mais longe, dar mais apoios, aumentar os valores atribuídos.
Além da incoerência de tudo isto, há aqui uma gritante falta de verdade por parte de quem tenta passar para as autarquias as culpas de uma política regional que não resolve os problemas reais de quem aqui vive. Há aqui uma certa cegueira de quem recusa admitir que os problemas existem porque as políticas ao nível regional falham, porque se privilegiam campos de golfe e protecionismos económicos, porque se mede o sucesso onde ele não toca os madeirenses. As autarquias não têm a tutela do emprego, da economia, da saúde, da educação da mobilidade.
Depois, há ainda outra equação a ter em linha de conta. É que quem hoje critica os nossos apoios sociais por alegadamente serem pouco, na verdade nunca fizeram nada no mesmo domínio.
Ou seja, a política do PSD resume-se a não ter feito nada em termos sociais em Santa Cruz e agora criticar tudo o que se faz, ignorando que a população sabe que não tinha Fundo Social de Emergência no tempo do PSD, como não tinha bolsas de estudos, ajudas às pequenas cirurgias, ajuda à reabilitação de imóveis, ajudas técnicas, entre tantas outras medidas.
Quero continuar a acreditar na Humanidade, mas confesso que está cada vez mais difícil. O contributo da oposição PSD para a minha boa-fé é tão nulo como foram nulos os apoios sociais criados enquanto estiverem mais de três décadas. Uma coisa é certa, a dívida deixada não foi para alimentar os apoios sociais que agora criticam, porque a história não conta nem uma medida digna desse nome.