A resiliência, a capacidade de adaptação, a versatilidade... Foram algumas das palavras repetidas no Dia do Empresário promovido pela ACIF. Conceitos modernos, quase obrigatórios no léxico empresarial.
Percebem-se as razões, aliás, pois sobreviver no mercado regional, num contexto económico tantas vezes condicionado pela insularidade, pelos custos, pela escala ou pela burocracia, exige precisamente enorme capacidade de resistir, reinventar e avançar.
Foi nesse enquadramento que a ACIF distinguiu a nossa empresa, a EJM, bem como a Eustáquio Fernandes & Filhos, S.A. e a GS Lines, valorizando trajetos empresariais marcados pela persistência e adaptação aos desafios de diferentes épocas. Mérito imenso também para o reconhecimento, a título individual, do percurso de Sandro Freitas, da Fisioclinic, e de Roland Bachmeier, do Grupo Galo Resort Hotels. Bons exemplos de quem percebe que o sucesso raramente depende de planos rígidos e quase nunca acontece sem capacidade de reação perante o inesperado.
Curiosamente, essa lógica da ‘adaptabilidade’ ganha expressão diferente na gestão do PRR, onde a flexibilidade mais se assemelha ao improviso.
O Plano de Recuperação e Resiliência nasceu, recorde-se, como resposta à pandemia, trazendo consigo milhões de euros e a promessa de transformar áreas estruturais como a saúde, a habitação, a transição digital ou a mobilidade. Houve anúncios, metas e discursos entusiasmados sobre rapidez de execução e visão estratégica.
Mas rapidamente se percebeu que a realidade era bem mais lenta. Os atrasos multiplicaram-se. A inflação alterou custos. As burocracias revelaram-se incapazes de responder ao ritmo exigido. Sobraram procedimentos lentos e apareceram justificações para tudo.
Aliás, tão depressa surgiam obstáculos como novas adaptações, reformulações e ajustes. A certa altura, deixou de se falar na concretização das prioridades inicialmente definidas para se começar a enaltecer, sobretudo, a necessidade de executar a totalidade das verbas disponíveis.
Só que o objetivo do PRR era responder às necessidades reais e mais prementes das populações e não somente garantir taxas de execução. Porém, nesta altura, parece ser irrelevante pensar no que é preciso e basta focar-se na execução financeira.
Chegados a esta fase, percebe-se que importa mais valorizar a adaptação permanente do PRR apesar de já ninguém perceber muito bem qual era o rumo inicial. O que importa são os números. Mas o plano não era este.