A presidente do PS/Madeira mostrou-se hoje preocupada com o facto de a terceira fase para a construção do Hospital Central e Universitário da Madeira ter ficado deserta.
O Governo Regional confirmou hoje que nenhum dos cinco agrupamentos que chegaram à fase final do concurso limitado por prévia qualificação para executar a terceira e última fase da unidade Santa Rita submeteu qualquer proposta. O valor da empreitada era de 265 milhões de euros e incluía a construção das infraestruturas gerais, acabamentos e instalações técnicas da futura unidade hospitalar.
Hoje, no final da reunião da Comissão Política do PS/M, Célia Pessegueiro pediu esclarecimentos à Secretaria Regional dos Equipamentos e Infraestruturas e exigiu que Pedro Rodrigues “diga quais foram as dificuldades que as empresas apresentaram”.
“Estamos a falar de uma obra extremamente importante para a Madeira que vai ser adiada novamente”, alertou, acrescentando que o hospital era para estar pronto em 2024, mas tem sido “sucessivamente adiado”. A nova data prevista “era 2029”, porém, “com este atraso de agora - sabe-se lá quanto tempo é que leva este processo -, para quando vamos ter hospital?”, perguntou.
Célia Pessegueiro diz que o Governo Regional padece de uma “incapacidade” para levar avante “compromissos que foi assumindo com a população” e, nesse sentido, exemplificou com as reprogramações do Plano de Recuperação e Resiliência que “deitaram por terra mais de 50% das camas para lares”.
Numa referência à manchete de hoje do JM, onde o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR assumiu que o programa poderia ser integralmente executado, depois da reprogramação aprovada por Bruxelas que permitiu que obras mais lentas saíssem desta execução, Célia Pessegueiro lamentou que o que está a ser executado agora já não é o plano inicial, nem respeita a “estratégia e áreas prioritárias definidas”. A seu ver, o Governo Regional “falhou completamente” com os compromissos assumidos inicialmente, “gastou o dinheiro” em outras áreas, e os investimentos não chegaram “à terceira idade”. “São os utentes prejudicados e são as famílias que estão sem uma resposta e isso as angustia”, atirou. “Também não se ouve alternativas compatíveis”, acrescentou.
Célia Pessegueiro perguntou também pelas obras do PTRR. “O Governo diz que tem 80 medidas, mas nunca diz quais são essas medidas”, criticou.
A líder socialista diz que o partido tem insistido junto do Governo Regional para apresentar o calendário de execução dessas medidas e o valor do investimento que representam, mas até agora só sabe de duas: a conclusão da via expresso a norte e o prolongamento da Pontinha. “E quais são as outras 78 medidas? Qual é calendário? Qual é o valor?”, pergunta.