MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Engenheiro

21/05/2026 07:35

O filósofo italiano que está subjacente no título deste artigo é amplamente reconhecido como o pai da ciência política moderna, separando pela primeira vez a política da moralidade religiosa e da ética tradicional. Na sua mais difundida obra, “O Príncipe”, Nicolau Maquiavel ensina a conquistar, manter e a centralizar o poder. Este tratado de ciência política, é de leitura obrigatória, pois o livro oferece uma visão realista e intemporal sobre o comportamento humano e as relações de poder. Entre muitas verdades absolutas e algumas relativas, encontramos um forte apelo ao realismo político e à necessidade de uma efectiva colagem à realidade e não a um ideal utópico (pois é, a malta da esquerda nunca leu Maquiavel). Mas além destas ideias e conceitos, a minha preferida, é a máxima: O mal, faz-se de uma vez, o bem, faz-se aos bocados. Esta frase explica toda a psicologia humana, desde o paleolítico até ao século XXI. O mal, quando feito de forma rápida, reduz o ressentimento, é depressa esquecido e evita que o líder seja contestado. O bem, quando derramado às porções, prolonga a gratidão, é mais bem apreciado e cria uma certa habituação que fideliza e prende o povo ao sabor da espera.

Tenho de fazer uma declaração de interesses, este parágrafo anterior foi apenas uma introdução para abordar as importantes obras da responsabilidade da ARM que estão a decorrer no Porto Santo, nomeadamente as intervenções nas redes e o compreensível desagrado e subsequente contestação relativamente às mesmas. O caro leitor deverá estar a pensar, mas por que raio é que Maquiavel é para aqui chamado? Este tipo de obras, pelas suas contingências, são complexas e demoradas, são as valas, a montagem das condutas, as ligações, os acessórios, os ensaios, a poeira ou a lama, os aterros e as compactações. Depois vêm as pavimentações, de caminho temos as interrupções, os condicionamentos, os cortes de via ou os cortes de água, em resumo, o mal na forma de empreitada, que perdura e que se eterniza. No final, teremos o bem, na forma de uma infraestrutura de abastecimento público capaz e resiliente, mas esta parte será rápida e quase imperceptível. Lembram-se do que dizia Maquiavel? Pois é, nestas empreitadas, está tudo ao contrário, o mal é servido aos pedaços, de forma lenta e faseada, e o bem, quando vem, vem de rompante, sem avisar e dentro de um tubo.

A Águas e Resíduos da Madeira, previu em sede do PRR, um investimento total de 24,5 milhões de euros no Porto Santo, sendo que deste valor, 15,8 milhões de euros foram destinados à renovação e reabilitação de cerca de 35 km de redes de abastecimento (35% do total da rede), estando ainda prevista a montagem de quase 800 novos ramais e contadores. A dispersão das intervenções em número superior a trinta, e o facto de algumas destas se realizarem em arruamentos importantes e sem possibilidade de desvios, agudiza o problema. A manutenção em funcionamento das antigas redes introduz também uma complexidade acrescida, sem falar das colisões com outras redes que partilham o mesmo espaço público. Em algumas das intervenções, a execução do pavimento foi ajustada ao plano de pavimentação da autarquia, aguardando esta pelo términus dos trabalhos da ARM para serem realizadas. Na minha opinião, um exemplo de parceria estratégica e de boa aplicação dos dinheiros públicos. Alguns trabalhos de pavimentação já começaram, aos poucos a cobertura provisória das valas será substituída por pavimento betuminoso definitivo. Eu sei que parece estranho, mas estes trabalhos têm de ser realizados desta forma, temos de andar para trás e para a frente ao longo da rede, não é desorganização, é o caminho crítico.

Mais uma vez peço a compreensão da população da ilha do Porto Santo e de quem a visita. Os prazos são apertados e o esforço é enorme. Para a execução destas obras, estão deslocados na ilha mais de uma centena de trabalhadores. O planeamento está a ser cumprido, muitas das intervenções estão a terminar, e durante o mês de agosto, à semelhança do ano anterior, não serão realizados trabalhos nos arruamentos mais importantes. Sabemos que estas empreitadas não obedecem à máxima de Maquiavel, mas uma coisa é certa, não nos alheamos da realidade, nem fugimos à responsabilidade, e o Porto Santo sabe que pode confiar na ARM.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Acha que Portugal não devia participar na Eurovisão, em protesto pela presença de Israel?

Enviar Resultados
RJM PODCASTS

Mais Lidas

Últimas