Um cão idoso foi resgatado na passada terça-feira, pela Associação Ajuda a Alimentar Cães de uma casa abandonada na Ponta do Pargo, no concelho da Calheta.
Numa publicação feita nas redes sociais a associação afirma que o animal se encontrava “completamente cego e em estado de subnutrição grave”. O cão, a quem foi dado o nome Luar, teria sido deixado para trás quando a sua tutora, uma senhora idosa, foi levada pelos familiares para casa da filha.
“Ficou sozinho. Esquecido. Abandonado à própria sorte”. “Quando os voluntários chegaram ao local, encontraram o Luar em pele e osso, completamente infestado de carraças e pulgas, sem um olho e sem qualquer visão no outro”.
A entidade considera que o resgate não foi fácil. “Como não vê absolutamente nada, o medo tomou conta dele. Tentava fugir constantemente porque não percebia quem éramos nem o que lhe estava a acontecer”, relatou a associação.
Ainda assim, o momento em que o animal percebeu que estaria a ser salvo ficou na memória de quem fazia parte deste resgate. “Assim que o conseguimos agarrar e demos os primeiros carinhos... transformou-se. Encostou-se a nós e mostrou-nos uma doçura impossível de explicar. O Luar é um dos cães mais meigos que já conhecemos”, descreveram.
O cão foi transportado de urgência para uma clínica veterinária, onde ficou internado de imediato. “Está com febre, muito anémico e a ser literalmente comido vivo pelas carraças”, alertou a associação.
Já na clínica, “o Luar tomou o seu primeiro banho quente provavelmente, o primeiro banho quente de toda a sua vida”, segundo a associação, que destaca a forma como o animal reagiu aos cuidados. “Portou-se lindamente durante o banho. Ele adora o toque, o carinho, a sensação de finalmente estar seguro”.
”O Luar não vê absolutamente nada, mas sente tudo. E nós acreditamos que ele já percebeu que está a ser cuidado, protegido e amado”, acrescentou a associação.
A associação afirma que as análises clínicas revelaram um quadro preocupante. “O Luar apresenta trombocitopenia, plaquetas baixas, provavelmente associada à forte infestação de carraças e ao estado de debilidade em que se encontrava. O hematócrito elevado, possivelmente relacionado com o stress prolongado e desidratação, que levou os veterinários a iniciar fluidoterapia para o estabilizar. Algumas enzimas alteradas motivaram ainda a realização de uma ecografia abdominal para avaliar o estado dos órgãos internos”, lê-se.
Apesar do quadro clínico complexo, o Luar parece estar a reagir bem. “Está a comer bem, está tranquilo e bem disposto. E isso, neste momento, já significa muito”, sublinhou a associação.
A entidade afirma ainda que “os cuidados serão pagos graças ao protocolo recentemente assinado com a Câmara Municipal da Calheta”.
”O Luar já sofreu demasiado. Agora precisa de conhecer o outro lado da vida, o amor, o cuidado e a dignidade”, lê-se ainda na publicação.