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Artigo de Opinião

24/05/2026 07:35

Assinala-se, em Portugal, no penúltimo sábado de maio, o Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade. Uma data oportuna para alertar para os números preocupantes associados ao excesso de peso e para promover uma reflexão sobre a forma como encaramos esta doença crónica.

Durante muitos anos, a obesidade foi encarada como uma questão de aparência física e como resultado exclusivo de falta de disciplina ou de escolhas individuais. Atualmente, sabe-se que esta visão é redutora e incorreta. A obesidade é uma doença multifatorial, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, sociais, económicos e culturais. Está associada a condições de vida, níveis de stress, saúde mental, acesso a cuidados de saúde, literacia alimentar, qualidade do sono e até ao contexto familiar e profissional.

A relação entre obesidade e saúde psicológica é relevante. Muitas pessoas vivem num ciclo marcado por ansiedade, depressão, baixa autoestima, estigma social e alterações do comportamento alimentar. O preconceito associado ao peso continua presente em diferentes contextos, incluindo escolas, locais de trabalho e até serviços de saúde.

Neste contexto, a intervenção psicológica deve ser reconhecida como parte integrante da prevenção e tratamento da obesidade. O acompanhamento psicológico assume um papel importante em diferentes fases do processo. É especialmente relevante quando existem dificuldades na relação com a alimentação, episódios de ingestão emocional, ansiedade associada à imagem corporal, sentimentos persistentes de culpa ou frustração perante tentativas anteriores de perda de peso, bem como sintomas de depressão, isolamento social e baixa autoestima. É fundamental no apoio a pessoas que sentem dificuldade em manter hábitos saudáveis ao longo do tempo, colaborando na definição de objetivos realistas, no reforço da motivação e na gestão de recaídas, entendidas como parte natural de qualquer processo de mudança.

Vários fatores psicológicos influenciam diretamente a obesidade. O stress crónico pode favorecer padrões alimentares desregulados e dificultar o autocuidado. A ansiedade e a depressão podem aumentar comportamentos compensatórios através da comida ou reduzir a energia necessária para a prática de atividade física. Também o estigma social associado ao peso contribui para sentimentos de vergonha, autocrítica e desvalorização pessoal.

Assim, a intervenção psicológica não se centra apenas na perda de peso, mas sobretudo na promoção da saúde e da qualidade de vida. O objetivo passa por melhorar a relação com a alimentação e com o corpo, fortalecer estratégias de regulação emocional, aumentar a autoestima e promover mudanças sustentáveis, ajustadas à realidade de cada pessoa. Uma abordagem integrada e multidisciplinar permite resultados mais consistentes e respeitadores da complexidade desta doença.

Não podemos ignorar a responsabilidade coletiva e política na prevenção da obesidade. A promoção da saúde exige políticas públicas consistentes, incluindo educação alimentar, regulação da publicidade alimentar, promoção da atividade física e investimento na prevenção. A avaliação precoce, especialmente na infância e adolescência, é igualmente fundamental para identificar dificuldades emocionais, sedentarismo e padrões alimentares desajustados, permitindo uma intervenção atempada com o envolvimento de famílias, escolas e profissionais de saúde.

A obesidade não se combate com culpabilização, mas com prevenção, acompanhamento adequado e políticas de saúde pública capazes de promover uma sociedade mais saudável e informada.

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