O JN referia na sua edição de 01.05.2026 que o número de trabalhadores com dois ou mais empregos, em Portugal, atingiu em 2025 um valor recorde, com um fluxo anual superior a 267 mil pessoas. Em 2012, este valor era de 194,5 mil. Aquele valor de 2025 agrega os trabalhadores que permaneceram em dois ou mais empregos (143.300) aos que deixaram de ter apenas um (124.200). O valor baixou em 2020, primeiro ano da pandemia -o que se compreende-, retomando depois a curva ascendente que se verifica desde 2015 assinalando uma tendência Duplo emprego atinge máximo num mercado de trabalho instável e de baixos salários - JN
Entretanto, Portugal está também entre os cinco países da União Europeia (UE) com percentagens mais altas de trabalhadores com contratos temporários (15,1%), a par dos Países Baixos, Polónia, França e Espanha. O que preocupa mais é que os números são ainda mais expressivos entre os jovens. Entre os trabalhadores, com menos de 30 anos, quatro em dez têm contratos temporários. Mas, o número de jovens com contratos temporários em Portugal é ainda maior. Para a população com 18 anos é de quase 60%, assim como na faixa etária entre os 18 e os 24 anos. Entre os 25 e os 34 anos, a incidência de trabalho temporário é de 40%. Os dados foram coligidos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), através da Pordata e trazidos ao conhecimento amplo pelo “Público” (01.05.2026) Portugal é o quarto país da União Europeia com mais trabalho precário entre os jovens | Precariedade | PÚBLICO .
A isto, ainda, podemos aditar a posição das remunerações médias mensais onde os resultados comparativos entre países e regiões colocam os trabalhadores em Portugal e na Madeira mais aquém (DREAM in https://estatistica.madeira.gov.pt/download-now/social/merctrab-pt/remuneracoes/noticias-remuneracoes/5780-15-05-2026-no-1-trimestre-de-2026-a-remuneracao-bruta-mensal-media-por-trabalhador-aumentou-3-4-em-termos-homologos-para-os-1-543-euros.html ).
A precariedade laboral entre os jovens e o crescente recurso ao duplo emprego constituem dois fenómenos profundamente interligados, especialmente em Portugal. A análise cruzada destes fenómenos revela transformações estruturais do mercado de trabalho, alterações nos modelos de proteção social e mudanças nas formas de integração das novas gerações na vida económica e social.
A precariedade laboral juvenil caracteriza-se, em regra, pela instabilidade contratual, baixos salários, vínculos temporários, trabalho intermitente, estágios sucessivos, recibos verdes e reduzida proteção social. Os jovens entram frequentemente no mercado de trabalho através de contratos a termo, trabalho parcial involuntário ou plataformas digitais, encontrando maiores dificuldades no acesso a empregos permanentes e previsíveis. Esta situação cria uma condição de insegurança económica persistente, dificultando projetos de autonomia, habitação ou constituição de família.
Neste contexto, o recurso ao duplo emprego surge não apenas como opção voluntária de maximização de rendimento, mas como mecanismo de compensação da insuficiência salarial e da instabilidade laboral.
Estas adversidades revelam à evidência, tanto as oportunidades, como os riscos associados ao futuro do trabalho. Mas, sobretudo, ditam a necessidade, de reagir aos desafios estruturais há muito identificados. Estamos concretamente a falar na formação e na qualificação dos trabalhadores induzindo, aqui, um reforço competitivo nacional.
É crucial permitir a cada trabalhador individualmente, aceder à educação e melhorar as perspetivas de emprego. Mas, para isso, o encargo financeiro da formação deve ser justamente partilhado e financiado. A formação no posto de trabalho, também, terá aqui um papel cada vez mais importante e é sobretudo responsabilidade dos empregadores investirem na formação. Uma ligação que deve ser incentivada aos empregadores para melhorarem os investimentos na área e em ter ligações mais fortes com as universidades e politécnicos.