Se a saudosa Rita Lee e o marido Roberto Carvalho fossem madeirenses, provavelmente, em vez do “escurinho do cinema”, a canção falaria no “escurinho da matiné” e num “final feliz”, embalado, não por enredos românticos, mas pelo set dos disc-jockeys. E se as luzes de repente se acendessem, “cruzes!”, o “flagra” seria garantido e o Elton John estaria a cantar “Ó Nikita you will never now...”
Nos anos 80 e 90 do século passado, quando o acesso às discotecas era apenas permitido aos maiores de idade (aos 21 e depois aos 18), as matinés e os bailes de garagem, sem lugar fixo ou data certa para acontecerem, eram a grande oportunidade para os menores se divertirem ao som dos sucessos do momento.
Eram escapes, para alguma emancipação juvenil, e o lugar propício para o despontar de alguns namoricos, em que o tradicional “queres namorar comigo” era substituído pelo “queres alinhar comigo”. Se é verdade que muitos desses “alinhanços” não tinham futuro, e iam de uma festa à outra, outros houve que deram em casamentos de sucesso.
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Os bailes acabaram “naturalmente”, ao ritmo da vida – “uns começaram a trabalhar e a constituir família, outros saíram da ilha para estudar” – e também da legislação que passou a permitir o acesso dos jovens de 16 anos às discotecas.