Não é difícil olhar à nossa volta e ver os nossos jovens com cigarros nas mãos, nas ruas, nas festas, nos convívios, uma realidade dos tempos atuais.
O tabagismo é um problema de saúde publica e é comum iniciar-se na adolescência. Constata-se, ao longo destes últimos anos, que o padrão de consumo de tabaco, tem vindo a mudar. Sentem-se atraídos pelas novas formas de tabaco (Tabaco aquecido e eletrónico), dispositivos diferentes, chamam a atenção dos mais novos.
Segundo a OMS, 70% dos consumidores usam as novas formas de tabaco e é mais expressiva nas faixas etárias entre os 15 e os 24 anos. Para quem trabalha na prevenção dos comportamentos aditivos, este dado é fulcral, no sentido de entender este novo padrão de consumo e ajustar as suas linhas orientadoras na intervenção.
Aproximando-se, o dia 31 de maio – Dia Mundial Sem Tabaco, é fundamental alertar para a perigosidade destas novas formas de tabagismo (cigarro aquecido e eletrónico) e alertar para “falsas ideias” que condicionam o comportamento, sobretudo dos mais jovens:
Os cigarros aquecidos e eletrónicos são menos prejudiciais?
- A indústria do tabaco divulga estas novas formas de tabaco como menos nocivas, embora, toda a evidência científica, tem vindo a mostrar que os compostos encontrados nestes cigarros são semelhantes aos dos cigarros tradicionais, e outros novos, potencialmente tóxicos e cancerígenos.
Estes cigarros não contêm nicotina, por isso não levam à dependência?
- A nicotina encontra-se presente nestas duas formas de tabaco (aquecido e eletrónico), o que obviamente leva à dependência física e psicológica. Está camuflada sob a forma líquida e pelo facto de não existir fumo, mas está lá, sendo o principal preditor da dependência.
Cheiram e sabem bem, que mal fazem estes cigarros?
- Os apelos são brutais, aromas, cores e designs, levam à falsa sensação, que são inofensivos. E claro, os que possuem menor juízo crítico nesta matéria, nomeadamente os nossos adolescentes, caiem facilmente. Tornam-se “iscos fáceis”, que uma vez experimentando, caminham para uma vida presa a estas novas formas de fumar.
Não fazem fumo, o ideal para quem fuma e para quem está à volta?
- A exposição aos compostos expelidos pelos cigarros aquecidos (ainda quase que invisível) é prejudicial, uma vez que contêm compostos tóxicos e, muitas vezes fumado em locais fechados, deixam desprotegidos todos aqueles que não fumam e são expostos a este fumo passivo.
Estas novas formas de tabaco ajudam a deixar de fumar?
- O fumador ao passar para estes cigarros, não está a deixar de fumar, apenas mudou a sua forma de fumar. O uso destas novas formas de tabaco, não podem ser vistas como alternativas ou até “desmame” do cigarro tradicional. Significa sim, que o fumador, ainda não está totalmente motivado a deixar de fumar, apenas ilude-se.
Trabalhar na Prevenção dos comportamentos aditivos é trabalhar com a evolução das sociedades, com novas formas de pensar e de agir, desafios diários que justificam novos apelos. Já não bastava o tabagismo, na sua visão mais tradicionalista, como ganha nova expressão estas novas formas de consumo.
A melhor forma de proteger a sociedade contra o consumo do tabaco é não compactuar com estas novas formas de tabaco. É combater o marketing de apelo ao consumo, é consciencializar sobre os perigos, é proteger os mais vulneráveis ao fumo passivo, é incentivar todos aqueles que, uma vez fumadores, ainda vão a tempo de deixar de fumar!