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Artigo de Opinião

Subdiretor JM

16/05/2026 08:00

Os atrasos sucessivos na distribuição postal na Madeira deixaram há muito de poder ser classificados como episódios pontuais. Quem insiste nessa narrativa fá-lo por desconhecimento da realidade ou porque prefere esconder um problema por demais evidente.

O que chega diariamente ao Jornal, à DECO, à Direção Regional do Consumidor e às conversas de café não são simples reclamações sobre compras online atrasadas. São relatos de pensões que chegam atrasadas, vales postais retidos, faturas entregues depois do prazo ou documentos urgentes que perdem validade ainda antes de serem rececionados.

E é precisamente aqui que o problema deixa de ser apenas operacional para passar a ser social.

Porque o correio postal não transporta apenas envelopes ou encomendas. Transporta direitos. Transporta reformas de quem vive no limite. Transporta notificações, pagamentos e documentos indispensáveis ao quotidiano das pessoas. Quando esse circuito falha, não falamos apenas de logística. Os problemas passam a ser sócio-económicos.

Num tempo em que o comércio eletrónico é incentivado, tornou-se gritante o desfasamento entre o aumento brutal do volume de trabalho e os recursos humanos disponíveis para garantir a distribuição.

Há (largos) anos que os carteiros alertam para a falta de profissionais e para a pressão crescente sobre os serviços. Voltaram a fazê-lo esta semana ao Jornal. Portanto, o problema não nasceu ontem. Apenas se agravou ao ponto de já não poder ser escondido atrás da expressão quase provocativa “constrangimentos pontuais”.

E talvez o mais injusto seja perceber que quem dá a cara pelo serviço continua a ser quem menos responsabilidade tem no problema. São os trabalhadores do balcão que enfrentam a indignação dos clientes. São os carteiros que percorrem ruas sobrecarregados, tentando fazer o impossível com meios insuficientes.

Já os responsáveis pelas decisões estruturais, assentes numa gestão economicista, nunca aparecem. Pelo menos na Madeira. E quando respondem, fazem-no à distância, protegidos pelo conforto dos gabinetes.

Os CTT foram privatizados e têm objetivos empresariais e financeiros. Isso é um facto. Mas também é verdade que continuam a assegurar um serviço público essencial. E quando o serviço perde qualidade de forma sistemática e prolongada, a discussão deixa de ser apenas sobre lucros e passa a ser de interesse público e de respeito pelos cidadãos, sobretudo numa Região ultraperiférica, onde o serviço postal continua a desempenhar um papel determinante.

Também continua difícil compreender porque persistem custos acrescidos no envio de encomendas para as regiões autónomas, apesar de toda a legislação criada para combater o bloqueio geográfico nas compras online. Na teoria, a discriminação territorial foi proibida. Na prática, muitos madeirenses continuam a pagar mais para receber exatamente o mesmo. E ninguém faz ou diz nada sobre o assunto?

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