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Artigo de Opinião

12/05/2026 08:00

Há dias ouvi esta frase a propósito da crise que vivemos, subentendendo-se que há sempre alguém que lucra com o mal alheio.

Sabemos que a política errática do atual presidente dos USA tem tido como consequência a fome, a guerra, a desumanidade em diferentes geografias, bem como o aumento do custo de vida em todo o mundo, mas a sua fortuna pessoal tem aumentado exponencialmente. Em 2025, dizem-nos, a fortuna do Presidente disparou cerca de três mil milhões de dólares. Lemos igualmente sobre indícios de que a presidência de Donald Trump utiliza as informações privilegiadas que tem para fazer movimentações na bolsa que geram lucros de milhões para as suas fortunas pessoais. Se analisarmos as opções políticas do Presidente americano na perspetiva do negócio, percebemos que de errático pouco têm. O objetivo do empresário é sempre atingido, contrastando radicalmente esta postura institucional com os valores a que estávamos habituados. A ideia de Estado e de política associada a uma solenidade institucional que foi regra ao longo das últimas décadas, está a desaparecer. Partidos de Estado não se comportavam assim. Membros com essas funções também não. Neste momento, a política está infestada de políticos que choram e, simultaneamente, vendem lenços. O bem comum é algo que não lhes assiste.

2025 foi um ano em que as práticas políticas de países mais poderosos levaram ao enfraquecimento das instituições internacionais que se construíram desde a II Grande Guerra. A política de defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da democracia está a ser minada. A reação de muitos governos tem sido a de ignorar estes ataques deliberados à ordem internacional, optando pelo silêncio ou pela ausência de confronto com quem intencionalmente tenta destruir um sistema que, embora imperfeito, vale a pena ser defendido. Aceitam-se quase passivamente as guerras ilegais, a matança indiscriminada, a chantagem económica, o discurso de ódio como linguagem institucional.

Na União Europeia são poucas as vozes que se opõem a este tipo de comportamentos. Portugal tem optado por colaborar e fechar os olhos a todo este cenário. No parlamento português o nível de ruído violento é cada vez maior, tendo até o Presidente da Assembleia da República no discurso do 25 de abril optado por, na minha leitura, criticar a necessidade de transparência a que os políticos estão sujeitos. Ridicularizou com exemplos falsos o que tem de se declarar. Não espanta que o líder da extrema-direita seja contra a lei de financiamento dos partidos. Não deixa de ser curioso que o paladino e agressivo defensor do combate à corrupção não queira revelar quem está por detrás de todo o dinheiro que o seu partido recebe e que, parece, até está associado a instituições investigadas no Brasil por corrupção. Engraçado o apoio que dá a Bolsonaro, Orban e Trump que têm estado associados a práticas pouco respeitáveis tanto financeiras como políticas. São dos tais que choram e vendem lenços e tudo fazem para que isso conste do sistema que pretendem implementar.

Na RAM ouvimos o Presidente do GR afirmar sem qualquer problema que não há verbas para resolver o problema da derrocada que aconteceu no concelho do Porto Moniz. No dia seguinte, na Promenade da Ribeira Brava, já havia verbas para o lazer. Desvalorizou a segurança das pessoas, revelou uma atitude blasé de desprezo pela população, falta de estratégia evidente na condução das políticas regionais e vontade de sufocar municípios que não são geridos pelo seu partido. Também ele chora e vende lenços.

E o que faz cada um de nós perante estes cenários?

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