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Artigo de Opinião

DE LETRA E CAL

11/05/2026 08:00

Havemos de ir ao futuro e, quando lá chegarmos, hão-de estar no sofá os nossos pais a cuidar dos sonhos que nos deram, os nossos avós a encher de luzes a árvore de Natal, os nossos filhos e os filhos deles, espantados e atrevidos como nós.” O verso é de um poema de Filipa Leal, que me veio ontem à memória quando assistia à cerimónia de imposição de insígnias da Universidade do Minho. Entre as centenas de jovens, estava a minha sobrinha Marta, que terminou ontem a primeira fase do seu percurso académico, e com ela as minhas sobrinhas Sofia e Teresa, que trilham agora o mesmo caminho. Olhando para elas, é essa promessa mágica e maravilhosa de futuro que vejo. Esse espanto e esse atrevimento que, um dia, já habitámos e que nos conforta vê-los em continuidade, sempre melhores, sempre renovados, sempre tão cheios de esperança que não cabe mais nada dentro deles a não ser essa alegria do por vir, espantosa e atrevida.

Os filhos, os sobrinhos são o futuro em gente, a força que nos lembra que o amanhã já está povoado pelo tanto que eles são e pelo tanto que de nós existe neles. Mas esta transferência para uma continuidade é neles gigante, porque serão sempre tão melhores do que nós, porque neles reside aquilo que em nós já é subtração e neles é ainda soma. São uma matemática infinita, com todas as premissas de dias que esperamos ainda habitar, nem que seja, como diz o poema, para estarmos no sofá, lado a lado, a cuidar dos sonhos que sonhámos por eles e para eles.

O onírico é, tantas vezes, essa matéria concreta que sentimos quando abraçamos os nossos. É a vida que continua como uma força que não cessa e que parece vir de um passado que persiste em direção a um futuro que se descobre em surpresa constante.

A vida apresenta-se tão bonita, que é difícil pensarmos numa outra realidade que não seja a irrefutável beleza, os dias de sol, o fio que nos conduz aos anos que ainda não sabemos, mas que esperamos com uma fé concreta, porque alicerçada nos nossos que crescem e que se lançam, peito aberto, no futuro.

E, tal como no poema, o que mais desejamos é podermos ainda estar nesse sofá do futuro, diante do qual será sempre construída uma árvore de Natal, feita dessa matéria perene de sermos laço e família, sonho e realidade, amizade fortalecida, imensa na sua promessa e na sua realidade. O sofá do futuro é um lugar inesgotável, onde cabem todos, os que já não estão, os que efetivamente ainda estão e os que vão estar.

A todas as minhas promessas de futuro, a Marta, a Sofia, a Teresa, o João, a Carolina, a Catarina, a Beatriz, a Lara, o Tiago, a outra Catarina, a Matilde, o Rui, a Joana, e os filhos e filhas deles, o Frederico, a Alma, o Frederico Maria, o Salvador e todas as crianças por vir, desejo esse sofá da alegria, onde fará sol, mesmo que seja um dia de chuva como o de ontem, no Minho.

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