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Artigo de Opinião

Médica Veterinária

13/05/2026 08:00

O movimento One Health (OH- (“uma só saúde para todos”), que veio reforçar a importância da interação entre pessoas e animais, tendo em conta as necessidades de ambas as espécies. Os programas de Intervenções Assistidas por Animais (IAA) são, entre várias, uma expressão relevante desse movimento. Estas intervenções, de carácter multidisciplinar, definem-se como intervenções que incorporam animais e que são orientadas para determinados objetivos multidisciplinares, sejam da saúde ou da educação, entre outras áreas, ou meramente lúdicos e recreativos, com impacto positivo, e comprovado, nos seres humanos. Os trabalhos de IAA têm o propósito de levar às diferentes populações, como, a exemplo, a população idosa ou a infantil, com ou sem necessidades especiais; entre outras populações vulneráveis, este contributo técnico e científico que tem em conta tanto as necessidades das pessoas como as dos animais, dado que não é possível isolar os benefícios de uns de outros. A saúde dos humanos e animais está interligada e interdependente (recorde-se a pandemia para melhor se entender esta afirmação). No caso das IAA - assumindo-se como uma modalidade alternativa, sem grandes custos, que, por um lado, valoriza a importância social dos animais na nossa sociedade (que vai muito além da “mera” companhia e companheirismo) e, por outro, proporciona bem-estar e saúde, física e mental, a tantas pessoas - estamos perante uma expressão de win-win: é “bom para todos”.

Porém, há que esclarecer, as IAA, não são uma variante da saúde humana que despontou recentemente, pelo contrário. Estas remetem oficialmente ao ano de 1792, em Inglaterra, quando surgiram as primeiras anotações técnicas sobre o recurso a animais para fins terapêuticos num asilo psiquiátrico, o Retiro York, criado por William Tuke. Aqui, os animais eram mantidos nos pátios por onde os doentes passeavam, e constituíam-se como auxiliares terapêuticos, encorajando os pacientes a movimentarem-se e a comunicar entre si, enquanto tratavam das galinhas, dos coelhos, ou de outros animais. Mais recentemente, nos anos 60 do século XX, surgiram novos registos oficiais sobre as possibilidades de intervenções clínicas assistidas por animais, mais concretamente sobre os efeitos benéficos obtidos em sessões terapêuticas com crianças na presença de um animal, através de artigos como “O cão como coterapeuta” (1962) de Boris Levinson, em que o autor relata a primeira experiência que teve com a participação do seu cão numa consulta, quando este interagiu com um paciente infantil com autismo, ficando, este psiquiatra, conhecido como o precursor e pai das terapias assistidas por animais. Nos nossos dias, as IAA são amplamente aceites como práticas terapêuticas, educativas ou meramente recreativas, devendo ser orientadas por um profissional certificado em IAA e, preferencialmente, também em comportamento animal, aliado a profissionais da saúde humana, educação ou de outros saberes, com o intuito de melhorar a qualidade de vida de tantos e variados utentes. Os animais têm mesmo vindo a ser recomendados por médicos e psicólogos, inclusive como prescrição terapêutica para uma variedade de patologias físicas e psicológicas (incluindo doenças mentais crónicas), que incluem, por exemplo, necessidades especiais, perturbações por uso de substâncias aditivas, hipertensão arterial, distúrbios associados aos processos de envelhecimento, e também na intervenção clínica em pessoas abusadas. As interações com animais podem ainda diminuir o colesterol, aumentar a oxitocina, fortalecer o sistema imunitário e melhorar os níveis de depressão e de ansiedade, entre tantos mais benefícios.

Perante tal quadro, só se pode reconhecer a mais-valia das IAA, pelo que a sua implementação- devidamente certificada e por técnicos devidamente habilitados! - em diferentes sectores da nossa região, públicos ou privados, dirigidas a diversas populações, constituiria um ganho inequívoco para toda a sociedade.

Para pessoas e animais!

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