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Artigo de Opinião

12/05/2026 08:00

Na Universidade, aqueles que não éramos comunistas, nem da extrema-direita, tínhamos como ambição pertencer à Europa Ocidental, das Liberdades democráticas e do grande Desenvolvimento.

A miragem, então, era a denominada Comunidade Económica Europeia (CEE), depois União Europeia (UE).

O 25 de Abril, após arriscadas lutas anti-comunistas, trouxe o Reconhecimento do Direito Natural do Povo Madeirense à Autonomia Política, cinco séculos e meio após o início da Ocupação e Povoamento do Arquipélago, tempo durante o qual dois terços do valor gerado pelo suor da nossa gente foi para os cofres de Lisboa (“O Deve e o Haver das Finanças da Madeira”).

A conquista da Autonomia Política, porque o Seu objectivo era o Desenvolvimento Integral da Região então a mais pobre de Portugal, logo o objectivo da Prioridade e Dignidade da Pessoa Humana e subordinação do Estado a este objectivo, acelerou ainda mais a atração pela Europa.

Quando o Dr. Mário Soares me convocou para saber sobre a adesão à CEE, se como Região Autónoma queríamos ficar de fora (como as Ilhas Faroé da Dinamarca), se pretendíamos ter um estatuto especial, incompleto (Canárias), ou se queríamos ficar integrados como a maioria do território europeu, respondi: “É como nos casamentos, Juntos para o bem e para o mal. Integrados plenamente”.

O Estatuto Político-Administrativo caracterizava como receitas nossas, os impostos cobrados na Região. Porém, Nesta, que importa mais de 80% do que aqui se consome, o preço final que o Madeirense consumidor paga, inclui uma sucessão de vários impostos sobre as várias transacções até os bens cá chegarem, mas que ficam noutros cofres fiscais pelo caminho.

Ora, este esquema montado para nos afogar, proporcionáva-nos receitas que nem sequer apenas davam para pagar os ainda pouco estabelecimentos de Saúde e de Educação.

Precisávamos dos Fundos Europeus para os Investimentos imprescindíveis.

Mas receber Fundos Europeus, obrigava-nos a pagar também uma percentagem do custo da obra ou objectivo subsidiado.

Não tínhamos dinheiro que desse para isso, mas seria um crime, no atraso em que estávamos, não aproveitar dinheiro que vinha de graça.

Porém, Lisboa recusou-se a comparticipar, dizendo-nos que pagássemos nós, que tínhamos receitas próprias, enquanto perdoava dívidas e “oferecia” dinheiro às ex-colónias.

O remédio foi recorrer à Banca, fazer Dívida Pública. O Povo acabou por não sentir tal peso nos seus hábitos de vida, dado que os Investimentos multiplicaram o valor do Produto Interno Bruto, aumentaram as receitas regionais, a Estabilidade Política permitiu o controle da inflação e a respectiva repercussão nas taxas de juro, como não se carregou nos impostos.

Hoje, até, o peso da Dívida Pública da Madeira, em percentagem do Produto Interno Bruto, vem descendo e é em percentagem PIB inferior ao peso quer da dívida pública portuguesa, quer da própria dívida pública da União Europeia.

O que agora nos preocupa é o futuro da própria União Europeia.

A “classe política”, não apenas a portuguesa, mas em toda a Europa, mediocratizou-se. Quer na substituição da “política de Causas” pela “política dos interesses”, quer na adopção de uma filosofia Relativista que vem liquidando os grandes Valores da Cultura e Civilização europeias, quer nas anteriores “jotinhas” dos múltiplos Partidos políticos.

O Sistema Político parlamentarista europeu involuiu de Democracia para Partidocracia e, porque os Partidos se tornaram dependentes dos seus “benfeitores”, a Partidocracia mergulhou em Oligarquia.

A “caça ao voto”, e não a Dignidade da Pessoa Humana, tornou-se prioridade política, deixando-se de aplicar as receitas no essencial das competências do Estado, incluindo Defesa e Segurança, para subsidiar vadiagem, fazer entrar mão-de-obra barata na Europa e, a pretexto de um igualitarismo absurdo, proletarizar a Classe Média, para a Esta retirar a força democrática que Lhe dava o protagonismo político principal.

Neste fracasso dos Quadros Políticos, que apenas procuram se exibir para imprensa, televisões e fotografias, nem lêem a documentação importante, a UE ficou a ser governada por Funcionários e burocratas que redigem enormidades e os “políticos” assinam sem ler.

Quando se estava na estratégia de reforças a União Europeia, reduzindo-se soberania aos Estados, transferindo competências para as Regiões e para os Órgãos da UE, a crise financeira de 2008 levou ao reforço dos soberanismos nacionais, hoje cada um puxa para o seu lado, não existe um Poder Europeu.

A UE, assim e em consequência, assiste à perda de força das organizações partidárias democráticas, multiplicadas em excesso e feitas fanicos, enquanto os extremos políticos crescem à “esquerda” e à “direita”.

A geração em que tenho muita Esperança, por conhecimento de facto, é esta que irá suceder à “geração rasca” e, dentro ou fora das “jotinhas”, nada quer com aquela. Nova geração que pode voltar a garantir um futuro à Europa e o lugar Desta no mundo, se:

- Repôr as Liberdades que se vêm reduzindo;

- Voltar aos Valores Europeus, assentes no primado da Pessoa Humana.

- Apostar num Desenvolvimento INTEGRAL, e não apenas só no economicismo ou no igualitarismo absurdo que fazem com que uns trabalhem, para que outros, conformados na pobreza, não queiram trabalhar;

- Eliminar o Estado assistencialista e a sua prioridade na obtenção do voto, para se voltar ao Estado Social;

- Perceber que, perante o mundo em que estamos, não há futuro sem garantir Segurança e Defesa.

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