Élia Ascensão, encerrou este domingo a Festa da Cebola, no Caniço, com um discurso centrado na valorização do setor agrícola e no esclarecimento da situação da ETAR do Caniço.
Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia, a intervenção foi simbolicamente estruturada “em camadas”, numa referência direta à cebola, tendo a autarca começado por reforçar “o compromisso do Município com a agricultura familiar e de subsistência”, setor que considerou fundamental “para a economia local, para a preservação da paisagem e para a coesão social das freguesias”.
Élia Ascensão destacou o investimento municipal de “mais de 428 mil euros” no âmbito do Programa de Apoio ao Setor Agrícola, através do qual “já foram aprovadas 206 candidaturas desde 2019”.
“Temos vindo a apoiar a aquisição de equipamentos, a recuperação de terrenos agrícolas, sistemas de rega, muros, poços e levadas, bem como a incentivar a retoma da produção agrícola”, afirmou.
A presidente da Câmara anunciou ainda que o Município está a trabalhar num “novo Regulamento de Apoio ao Setor Agrícola”, que passará igualmente a contemplar “apoio direto à produção agrícola”, reforçando a estratégia municipal de valorização do setor.
Na mesma intervenção, recordou que o período de candidaturas aos apoios agrícolas para 2026 decorre até 20 de maio, mantendo-se incentivos que “podem chegar aos três mil euros por requerente”.
Outro dos pontos destacados foi a renovação do Mercado de Santo António da Serra, inaugurado este sábado, apontado pela autarca como “um exemplo da aposta municipal na criação de melhores condições para produtores e consumidores”.
A esse propósito, revelou ainda a intenção da Câmara Municipal de avançar com “a reabilitação do Mercado Municipal de Santa Cruz”.
Segundo a nota de imprensa, numa segunda “camada” do discurso, Élia Ascensão abordou a polémica em torno da ETAR do Caniço, acusando a oposição de tentar criar “uma realidade alternativa completamente alheia à verdade”.
A autarca recordou que a infraestrutura, inaugurada em 2009, “apresentou problemas graves desde o início”, nomeadamente “falhas de funcionamento, maus cheiros, ruído e sucessivas ocorrências ambientais”.
Segundo explicou, a ETAR esteve sob gestão do Governo Regional entre 2010 e 2019, tendo sido entregue “apenas de forma provisória ao Município”, numa fase em que “os problemas estruturais se mantinham”.
“A titularidade da infraestrutura continua ainda hoje na esfera do Governo Regional”, afirmou, acrescentando que essa situação “foi reconhecida pelo próprio diretor regional do Património numa reunião recente”.
De acordo com o comunicado, a presidente da Câmara sublinhou ainda que o Governo Regional “admitiu oficialmente incumprimentos, deficiências e omissões na empreitada”, motivo pelo qual “nunca houve receção definitiva da obra inaugurada há mais de 15 anos”.
Élia Ascensão revelou também que, na passada semana, como noticiou o JM, existiu “abertura manifestada pelo secretário regional das Finanças” para regularizar a situação, permitindo ao Município avançar para “uma solução definitiva para o problema”, nomeadamente através de “contrato-programa e fundos comunitários”.
“O caminho deve ser o do diálogo, da responsabilidade e das soluções”, defendeu a autarca.
A encerrar a intervenção, Élia Ascensão garantiu que continuará focada “no trabalho, no serviço público e na defesa dos interesses da população”, reiterando o compromisso do executivo municipal com “obra feita, proximidade e resultados”.