O Presidente norte-americano afirmou hoje que acredita poder concentrar-se em Cuba assim que resolver a guerra contra o Irão, num momento em Washington garante que continua a manter contactos com Havana.
”Cuba é uma nação em colapso. Vamos levar a cabo esta iniciativa [a de impedir que receba petróleo de forma regular], e é possível que façamos uma paragem em Cuba assim que tivermos concluído isto”, disse Donald Trump em relação à guerra com o Irão durante um evento na Casa Branca.
O líder republicano respondeu assim quando questionado sobre a recente decisão de Washington de permitir que alguns petroleiros chegassem à ilha, que necessita diariamente de cerca de 60.000 barris de petróleo bruto importado para satisfazer as necessidades energéticas.
Em janeiro, os Estados Unidos aplicaram um bloqueio petrolífero a Cuba após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A administração Trump anunciou no final de março que ia analisar cada remessa de petróleo “caso a caso”, depois de permitir que o navio russo “Anatoly Kolodkin” levasse a Cuba 100.000 toneladas de petróleo bruto.
“Tem sido um regime muito opressivo, como sabem”, disse.
“Contamos com muitos e extraordinários cubano-americanos — praticamente todos votaram em mim —, e têm sido tratados de forma terrível. Em muitos casos, os familiares foram assassinados. Foram espancados e assaltados; aconteceram coisas verdadeiramente atrozes em Cuba”, acrescentou Trump sobre a ilha.
Depois de ter começado o embargo petrolífero norte-americano, Trump insistiu em várias ocasiões que o Governo do Presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, está prestes a ruir e chegou a sugerir que os EUA levariam a cabo “uma tomada de controlo amigável” de Cuba.
Na quinta-feira, Miguel Díaz-Canel assegurou que não vai renunciar ao cargo, numa entrevista com a estação televisiva norte-americana NBC, depois de ter sido pressionado por Washington para se demitir.
“Renunciar não faz parte do nosso vocabulário”, disse o líder cubano à jornalista da NBC, quando lhe perguntou se tinha equacionado demitir-se para “salvar o país”.
“Em Cuba, quem ocupa cargos de liderança não é eleito pelo Governo norte-americano nem conta com um mandato desse governo”, assegurou Díaz-Canel na entrevista, a primeira a um órgão de comunicação social dos Estados Unidos.
“Temos um Estado livre e soberano (...) gozamos de autodeterminação e independência, e não estamos sujeitos aos desígnios dos Estados Unidos”, concluiu.