Rocha da Silva, antigo diretor regional das Florestas e vereador na Câmara Municipal da Calheta recordou alguns dos momentos do seu percurso, antes de concluir com uma mensagem sobre o presente e futuro.
“Não podemos continuar em torno da questão da memória do passado. Temos de passar para a frente”. Reconhecendo que a entrada de Portugal na União Europeia e acesso a fundos europeus foram “a gasolina de avião” da autonomia regional, também entende que a Madeira não estaria tão desenvolvida, e a história regional teria sido escrita de outra forma.
A seu ver, para além da gestão criteriosa das verbas, “temos de evoluir enquanto sociedade. Aos 72 anos, essa é a minha preocupação. Vejo pessoas valentes discutindo argumentos, rótulos de direita ou de esquerda. Eu costumo dizer que se tenho uma mão direta, vou cortar a esquerda?”
Isso para defender que “temos de deixar cair os rótulos, porque a democracia não se esgota na contagem de votos”.
Antes, e a pensar nos alunos presentes, contou como foi a sua entrada no ensino superior. “Tínhamos de entregar o Bilhete de Identidade na agência de viagens, que tinha de mandar o documento para a delegação da PIDE no Funchal”.
A primeira vez que viajaria, foi intercetado por um elemento da PIDE a dizer que não podia seguir viagem. Com a posição da PIDE falhou o exame de admissão do curso que pretendia. “O que queriam saber era apenas o que iria fazer a Lisboa. Fui explicar que ia estudar para o continente e que ia fazer um exame que ‘foi à vida’.
A ideologia seguida para os rapazes era tirarem um curso, para depois ire à tropa e depois casarem. “Hoje em dia, já ninguém passa por isso, de não poder embarcar porque tinha de explicar o que ia fazer a Lisboa”.