MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Subdiretor JM

7/03/2026 08:00

Fala-se muito, estuda-se muito, promete-se ainda mais.

É quase sempre assim, mas, no essencial, pouco muda. E ninguém consegue explicar – pelo menos de forma convincente – por que razão um problema que afeta diariamente a mobilidade de uma Região dependente do turismo continua preso numa espécie de limbo técnico e político que dura há décadas.

O caso do Aeroporto da Madeira é um bom exemplo desta inércia. Nos últimos dias, mais de 250 voos cancelados voltaram a colocar o assunto no centro da discussão pública. E, como acontece sempre que o vento decide fazer-se notar, regressa também o debate habitual: será a localização do aeroporto o verdadeiro problema ou estarão os limites de vento simplesmente desatualizados?

Diríamos que ambos, mas tanto a pergunta como a resposta não são novas. Já tem, na verdade, barbas suficientes para merecer outra resposta que adviesse de mudanças estruturais na operação aérea de e para a ilha.

Os limites operacionais de vento foram definidos nos anos 60, após testes realizados com aeronaves DC-3 (Dakota), aviões que hoje pertencem universo dos museus da aviação. Na altura, a pista tinha 1.600 metros. Hoje tem 2.781 metros, depois da grande ampliação concluída no início dos anos 2000.

No início deste século, é verdade, houve um pequeno ajuste das restrições, reduzindo alguns limites operacionais. Desde então, o debate continua praticamente no mesmo ponto. E repetem-se estudos, equipamentos, medições e sucessivas declarações de intenção.

Ainda recentemente, Pedro Ângelo, vogal da administração da NAV Portugal, veio ao Parlamento madeirense afirmar que novos equipamentos poderiam permitir “habilitar quem de direito a tomar a decisão de alterar os limites de vento”. Dizia que a mudança só aconteceria após o verão de 2025. Na verdade, já nevou esta semana na Região e nada...

Importa deixar claro que a segurança nunca pode ser relativizada. Qualquer alteração operacional tem de ser sustentada por critérios técnicos rigorosos. Isso não está em causa.

O que causa estranheza é outra coisa. Existirem há anos estudos e especialistas que defendem a necessidade de rever os limites operacionais para acompanhar a evolução tecnológica das aeronaves, e mesmo assim o processo continuar a arrastar-se a um ritmo sem vento: está parado.

Enquanto isso, repete-se o ciclo conhecido. Sempre que as rajadas se intensificam, os voos são desviados ou cancelados, os passageiros ficam retidos e a Madeira volta a lembrar-se da fragilidade da sua principal porta de entrada. Depois o vento acalma, o debate esmorece e tudo regressa à inércia habitual.

No fundo, o problema talvez não seja apenas o vento. É também esta capacidade muito nossa de transformar situações urgentes em processos intermináveis. Veja-se o subsídio de mobilidade...

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