A secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, destacou esta quarta-feira o papel de Maria Ascensão como “uma mulher à frente do seu tempo”, durante as comemorações do centenário do seu nascimento, que decorreram na Escola Básica com Pré-escolar e Creche Dr. Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior.
Perante alunos e comunidade educativa, a governante começou por aproximar a figura homenageada das gerações mais novas, sublinhando que muitos a conhecem apenas pelas histórias: “Alunos estão a ouvir falar de Senhora Ascensão como uma pessoa distante, que tinha as tradições, mas que vocês não conheceram”.
Num tom pessoal, recordou inicialmente a ligação familiar e memórias de infância, prosseguindo a apontar os traços que considerou essenciais para compreender o legado da homenageada.
O primeiro, a sua capacidade de se destacar numa época em que as mulheres tinham menos autonomia: “Um deles foi a mulher à frente do seu tempo que ela foi. Naquela altura, a maioria das raparigas eram donas de casa, preparavam-se para ser esposas e não tinham trabalho fora de casa”. Em contraste, frisou, Maria Ascensão era modista, “ganhava o seu dinheiro” e tinha o espírito de querer “a sua própria autonomia” e “fazer algo pelos outros”.
A criatividade e inovação foram igualmente evocadas por Elsa Fernandes, assim como o impacto da sua participação no folclore, abrindo portas a outras mulheres. “A presença dela no Grupo de Folclore da Casa do Povo da Camacha fazia com que muitas outras mulheres tivessem a permissão da família e dos pais para estarem também no grupo“, onde “tinham a oportunidade de viajar e de conhecer outras partes do mundo, outras culturas”.
Num segundo momento da intervenção, a governante dirigiu-se diretamente aos jovens, sublinhando a importância de encontrar um propósito de vida, inspirando-se no exemplo da ‘Loura da Camacha’: “Ela descobriu qual era o seu propósito [...] era feliz, muito feliz quando estava a bailar”, disse, acrescentando que “muitas vezes nós passamos por este mundo sem nunca descobrirmos qual é o nosso propósito”.
Aos alunos deixou o desafio de nunca deixarem de “procurar e descobrir” e aos professores pediu apoio nesse caminho, “a ajudarem estas crianças e jovens a descobrir qual é o propósito de cada um”.
A concluir, Elsa Fernandes destacou o papel do sistema educativo na ligação à comunidade e à identidade local, considerando que “a escola tem de saber adequar aquilo que quer que os seus alunos aprendam [...] à comunidade e ao meio onde está”. Enalteceu ainda o trabalho desenvolvido naquele estabelecimento de ensino, que “tem sabido muito bem fazer esse trabalho”, quer na resposta às necessidades dos alunos, quer na valorização das tradições locais.