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Artigo de Opinião

6/04/2026 03:30

Saber sair é algo que todos nós deveríamos saber fazer. Sair quando não somos desejados, quando estamos cansados, quando somos sucessivamente derrotados.

Saber sair é um sinal de grandeza, de desprendimento e saber dar o lugar a outros, que, com maiores ou menores capacidades, têm o direito a fazer o seu caminho sem as sombras cinzentas do passado.

O percurso de cada pessoa ao nível político, normalmente, é feito por um ciclo de aparecimento, crescimento, auge, estabilização, e, na maioria das vezes, queda.

Poucos, muito poucos conseguem reerguer-se de forma digna após uma grande queda. Essa recuperação só está ao alcance de poucas pessoas e, para consegui-lo, é preciso antes saber sair, afastar-se.

Vejamos o caso do nosso Presidente da República, António José Seguro.

A pulso, conseguiu atingir a liderança do PS, mas sempre perseguido por outras figuras que permanentemente questionavam a sua liderança, tentando roubar protagonismo até ao assalto final ao poder interno.

Seguro assumiu a derrota, retirou-se e fez-se à vida, coerentemente e desprendido de cargos políticos.

Não fez sombra aos seus sucessores, não impôs qualquer agenda, soube sair.

E ao saber sair, ganhou o respeito de muitas pessoas, tantas, que hoje é Presidente da República, tendo inclusive sido o Presidente eleito com o maior número de votos numa primeira eleição.

Admiro Seguro, apoiei-o desde a primeira hora, desde o congresso em que foi eleito Presidente da JS. Apoiei-o nas disputas internas no PS e finalmente para a Presidência da República.

Apoiei-o porque acredito nas pessoas. Nas pessoas sérias, que sabem bem o que querem, sem precisar de fazer jogos dúbios de bastidores, sem atropelar ninguém, muito menos os camaradas do próprio partido. Apoiei Seguro porque sabe respeitar.

Sabemos que a política nos tempos atuais é feita a alta velocidade, o populismo domina e com isso, muitos dos valores que prezo são relegados para segundo plano. Não interessa propriamente a seriedade ou a competência, interessa é fazer passar uma mensagem fácil, e para tal, quanto menos conteúdo, quanto mais soundbite, melhor. Façamos títulos de jornais e deixemos os conteúdos apenas para os cromos da política. Talvez eu seja um cromo. Gosto de ler e não me ficar apenas pela espuma dos textos.

É por isso que saí. Que soube sair. Não pretendo voltar, muito menos fazer sombra seja lá a quem for, muito menos à líder do meu partido, em quem confio e considero capaz de lá chegar, sem os populismos, mas com a matriz da social democracia bem vincada no seu pensamento, nos seus princípios.

Eu soube sair. Continuo atento, disponível para contribuir com ideias e pensamentos, sem querer absolutamente nada em troca. Quantos mais estão assim disponíveis?

Uma nota final

Na próxima sexta-feira, dia 10 de abril, o governo de Montenegro terá uma estrondosa derrota juntamente com os três deputados do PSD-M na AR, o anteriormente denominado subsídio de mobilidade, agora mecanismo de mobilidade, será votado e alterado por iniciativa do Partido Socialista. Um trabalho conjunto do PS-Madeira e do PS-Açores, com o contributo do nosso deputado à AR, Emanuel Câmara. Os madeirenses ficam a ganhar, contra a prepotência centralista do PSD, de Montenegro, de Hugo Soares e de todos os Albuquerquistas que os defendem diariamente.

Duarte Caldeira escreve à segunda-feira de 4 em 4 semanas.

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