MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Uma série de Personalidades da Política de Portugal Continental, fundou na extremidade Interior, em Mirando do Douro, a Associação Círculo de Estudos do Centralismo (ACEC), para estudo e reflexão crítica sobre o centralismo político-administrativo em Portugal, e para promover o aprofundamento dos Princípios da Subsidiariedade, da Autonomia Local e da Descentralização Democrática.

Há pouco tempo, a ACEC apresentou publicamente uma Carta Aberta aos Presidentes da República e das Assembleia da República, bem como ao Primeiro-Ministro, pedindo esclarecimentos sobre a racionalidade e o impacto de grandes investimentos projectados para um mesmo período de tempo apenas na região de Lisboa, apesar do desequilíbrio histórico e crescente entre o Litoral e o Interior de Portugal Continental, esclarecimentos nomeadamente sobre o denominado Novo Aeroporto de Lisboa (NAL).

Vários Políticos, assinam a Carta Aberta: a Associação Comercial do Porto, Arlindo Cunha, Carlos Tavares, Alberto Aroso, Daniel Bessa, Elisa Ferreira, Isabel Pires de Lima, José Ribeiro e Castro, Fontainhas Fernandes, Miguel Cadilhe, Teresa Albuquerque, entre muitos outros.

Começando por temer o cenário de provável falência de alguns pressupostos que fundamentaram as decisões tomadas, numa inviabilização que seria desperdício de recursos e de tempo, os Signatários aditam ser importante vigiar o impacto e o custo-beneficio dos investimentos, bem como a justiça e o equilíbrio na distribuição do investimento público, nomeadamente quanto aos grandes projectos.

Daí invocaram o Direito de conhecer mais e melhor os fundamentos e as implicações do grande investimento projectado de forma mais concentrado na Área Metropolitana de Lisboa, num eventual afastamento dos Princípios da Coesão e da Descentralização.

Assim pedem esclarecimentos sobre o NAL, a terceira travessia do Tejo rodoviária e ferroviária (TTT), as linhas de alta velocidade Porto-Lisboa e Lisboa-Madrid (LAV), o “dossier” TAP, o projecto “Parque Cidades do Tejo (PCT)” (55 vezes o tamanho da “Expo 98”, contemplando a desactivação do Aeroporto Humberto Delgado (AHD) e a Cidade Aeroportoária Montijo-Benavente).

Também são pedidos esclarecimentos sobre outros projectos igualmente concentrados em Lisboa: o túnel sub-fluvial Algés-Trafaria; ampliação do Metropolitano de Lisboa; expansão do Metro Sul do Tejo; criação da Linha Intermodal Sustentável; e a Mobilidade Fluvial.

A Carta Aberta entende que tudo isto terá de ser apresentado aos Portugueses com uma profundidade e viabilidade claras e demonstradas, com análises de custo e benefício completas e competentes, porque se trata de obras simultâneas, no tempo e todas numa pequena parte do território. A qual parte, aliás, é a mais desenvolvida do País.

A Carta Aberta refere os respectivos riscos internos: quanto à procura; quanto à base ou má alocação de recursos por se tratar de uma concentração de investimento em sectores não transacionáveis; quanto ao financiamento; quanto ao equilíbrio das finanças públicas; quanto ao desenvolvimento e coesão territorial; quanto às componentes importadas do investimento; quanto a migração de mão-de-obra para o sector da construção; quanto ao agravamento da densidade populacional e de Qualidade de Vida nas várias Cidades desta área restrita, etc.

Também considera riscos extremos, os decorrentes da situação geopolítica instável e de difícil previsão, cujas consequências sobre a globalização do comércio de bens e serviços “são já evidentes”.

Dado que os cidadãos vão suportar tudo isto, a Carta Aberta interroga sobre “o custo de oportunidade”, isto é, as Reformas que poderiam ser PRIORIDADE a este dinheiro público assim gasto: Justiça, Inovação, Produtividade, Competitividade, redução das burocracias, etc.

E pergunta:

- deve e pode Portugal suportar a acumulação e a concentração destes grandes projectos?

- podem ocorrer fenómenos de ruptura que façam com que o interesse provado de alguns se sobreponha e prejudique o interesse de todos?

Diz depois que quanto à avaliação dos custos do projecto NAL, o próprio Governo e a Concessionária consideram-nos subestimados. Que o estudo de rentabilidade do projecto não inclui os custos indirectos, os quais atiram para o dobro dos estimados.

E interroga a rentabilidade social para o País, a qual é uma prioridade em relação à sustentabilidade da Concessionária.

Os Subscritores do Documento fundamentam-no na Sua preocupação com os sinais de eventuais

- desproporcionalidade;

- erro de prioridades;

- desconsideração dos custos de oportunidade;

E, neste Carta Aberta, depois concentram o texto no Novo Aeroporto de Lisboa e na relevância deste para a privatização da TAP, sustentando quatro questões gerais:

- custos-benefícios;

- procura;

- alternativas;

- vigilância financeira

No próximo artigo que publicarei, apresentarei então as dezenas de questões na especialidade às quais os Autores do Documento pretendem obter resposta dos principais responsáveis da República Portuguesa.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Têm razão os enfermeiros em pedir escusa de responsabilidades?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas