O Grupo Parlamentar do Partido Socialista vai dar entrada, na Assembleia Legislativa da Madeira, “a um pedido de esclarecimentos dirigido ao secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, de modo a obrigar o governante a assumir a publicidade enganosa usada para anunciar uma nova rede hídrica, concluída há anos”, informa o seguinte comunicado.
“Em causa está o alegado recente investimento na faixa corta-fogo, no Caminho do Pretos, destinado ao combate a incêndios, que hoje, na comunicação social, Eduardo Jesus vem anunciar como novo, quando, em 2022, o Governo Regional já havia dado o mesmo projeto como concluído”. Uma situação que, no entender de Sílvia Silva, “só vem provar que o Executivo não tem nada de realmente novo a mostrar em matéria de investimento na prevenção de incêndios, colocando em causa a segurança da população”.
“Com efeito, a 4 de janeiro de 2022, o presidente do Governo e a então secretária regional do Ambiente, Recursos Naturais e Alterações Climáticas, Susana Prada, fizeram-se acompanhar da comunicação social numa visita à faixa corta-fogo do Funchal, para inaugurar e anunciar a conclusão da rede hídrica, composta por um reservatório com capacidade para 1.500 metros cúbicos de água, para abastecer 20 bocas de incêndio, na extensão entre o Terreiro da Luta e o Palheiro Ferreiro, num investimento que ascendeu a 2,2 milhões de euros. Ora, hoje, na sequência de uma visita de Eduardo Jesus efetuada ontem ao mesmo local, desta vez sem comunicação social, o mesmo projeto é apresentado na imprensa como uma novidade”, lê-se.
“É imperativo que o secretário regional que tem a tutela do Ambiente venha explicar porque razão anuncia como novo um investimento que já tem quatro anos, garantindo não ter dúvidas de que esta postura que já vem sendo prática comum por parte do Executivo tem como intuito tentar mostrar trabalho feito numa área onde a ação do Governo tem sido um verdadeiro fracasso”. A deputada socialista lembrou, “a propósito, os diversos anúncios que têm vindo a ser feitos no âmbito da faixa corta-fogo, nomeadamente as sucessivas florestações engolidas por mato e o alegado pastoreio ordenado, anunciado por Miguel Albuquerque na sequência dos incêndios de 2023, mas que continua sem efeito”.
A deputada do PS não escondeu a sua indignação “por estar em causa uma questão tão importante como é a segurança das populações, tendo em conta a cada vez mais previsível ocorrência de catástrofes que o executivo previne com faz de conta”. “Este anúncio do secretário Eduardo Jesus não só é patético, como é muito preocupante, porque comprova a negligência de um Governo Regional que nada tem feito e agora recorre a uma obra antiga, apontando-a como nova, para, mais uma vez, induzir uma falsa sensação de segurança na população”, afirmou, acusando o governante de “investir na mentira e na propaganda”.
“Esta questão é particularmente grave porque a mentira é anunciada precisamente no dia em que se passam 16 anos sobre a tragédia de 20 de fevereiro, situação que deveria ter obrigado o Executivo a uma mudança comportamental e preventiva”. “O Governo, à falta de melhor, brinda os madeirenses com propaganda que esconde a sua inação e que coloca em risco a população, promovendo a falsa sensação de segurança e desrespeitando a memória das vítimas e de todos os que passaram pelas tormentas e continuam com medo de não estarem devidamente protegidos por quem tem esse dever e essa obrigação”, declarou.
Sílvia Silva aproveitou ainda “para esclarecer que os investimentos na floresta através do PRODERAM estão suspensos há algum tempo e que a sua abertura através do PEPAC está atrasada devido aos caprichos do Governo Regional, que exigiu uma plataforma autónoma para abrir as candidaturas, e lamenta, mais uma vez, que Eduardo Jesus continue a enganar os madeirenses e a tratar a oposição como tontos para esconder a incapacidade e as trapalhadas deste Executivo”.