A Artemis II esteve 10 dias em missão e regressou à Terra. Foi preparada com vários anos de antecedência e funcionou com uma filosofia de entreajuda, recebendo contributos variados, por exemplo, da agência espacial canadiana, europeia ou da japonesa, contrariando a lógica MAGA de que os Estados Unidos não precisam de ninguém para serem grandes ou confiáveis. A constituição da tripulação teve uma lógica diversa da habitual. Houve a preocupação de incluir uma mulher, Christina Koch, um negro, Victor Glover, um canadiano, Jeremy Hansen, para além do comandante, Reid Wiseman.
Durante esses 10 dias, foi evidente que Trump tentou explorar politicamente o sucesso desta missão, até como forma de fazer esquecer o insucesso das suas opções políticas erráticas no Irão, o aumento do preço dos combustíveis e do custo de vida nos States, os ficheiros Epstein ou as alegadas ligações do casal Trump à rede de pedofilia do magnata. Interessante ver o silêncio embaraçoso quando Trump falou com a tripulação e se dirigiu ao astronauta canadiano, cujo país ele ameaçou invadir e ocupar.
10 dias depois, apesar de os quatro astronautas dizerem que o melhor da experiência foi o amor e a sensação de que todo o planeta é uma tripulação cheia de humanidade, notamos que essa lógica não se aplica à Madeira. Miguel Albuquerque e o PSDM continuam a reescrever as narrativas políticas laranja sobre a mobilidade aérea, maldizendo quem tenta resolver as trapalhadas que eles próprios criaram e que tanto prejudicam a população. Mesmo sabendo que os deputados do PSD Madeira e Açores votaram favoravelmente essas alterações propostas pela oposição.
10 dias depois e com 50 anos de autonomia, percebemos que as políticas de transportes terrestres na Madeira têm sido pensadas numa lógica imediatista, sem ideia de futuro. Os terminais de transportes estão desfasados das necessidades reais da população. Transportes urbanos e interurbanos são ineficazes, contribuindo mesmo para a desertificação dos territórios ou para um desenvolvimento pouco harmonioso.
10 dias depois e após 52 anos de democracia, o deputado do PSD Miguel Guimarães, que já foi bastonário dos médicos e criticava duramente o PS pelas listas de espera do SNS, defendeu sem pudor que se elas agora aumentam é porque as pessoas passaram a gostar muito do Serviço Nacional de Saúde; se nascem mais bebés em ambulâncias é porque as grávidas não chamam a tempo os serviços de emergência; se Montenegro não tinha o cinto de segurança no vídeo promocional foi porque a viatura estava parada...
10 dias depois do início da missão Artémis II e com o custo de vida a atingir gravemente a população com os preços dos combustíveis, do cabaz alimentar ou da habitação elevados a máximos históricos nunca vistos, o governo laranja juntamente com a extrema-direita preocupou-se em alterar a lei da identidade de género, identificando este problema como a maior das preocupações atuais do País, ou a catalogar Saramago como um autor opcional na disciplina de Português. O Diretor Executivo do SNS admitiu que não será possível garantir um médico de família a todos os utentes, quando Montenegro afirmou há 2 anos que tinha um plano de emergência para a saúde a apresentar nos primeiros 60 dias do governo. Foram eleitos para governar, mas confessam não ser capazes de o fazer.
Em plena crise mundial, seria bom que os governantes descessem finalmente à Terra e, se não são capazes de estar à altura da missão para a qual foram eleitos, talvez esteja na hora de mudarmos de tripulação.