O coordenador do partido Iniciativa Liberal Madeira, diz, em comunicado sobre a pobreza na Região, que "81 mil madeirenses estão em risco" e defende medidas urgentes, a montante, nas causas.
"É urgente sair deste círculo vicioso: é pobre porque falta dinheiro; falta dinheiro porque há baixa capacidade de poupança e consequente acumulação de riqueza; há baixa capacidade de poupança porque os rendimentos são baixos; há rendimentos baixos porque a produtividade é baixa; há baixa produtividade porque há falta de dinheiro; e voltamos ao princípio... O governo entende que o problema está então na falta de dinheiro. E aparece o subsídio. Só que este é insuficiente para resolver o problema porque está sustentado em impostos, que não estão apoiados em produção, sendo, assim, o próprio estado arrastado para o ciclo da pobreza", defende o líder partidário.
A reflexão de Nuno Morna tem como ponto de partida uma declaração de Elizabeth Santos, da EAPN - Portugal (Rede Europeia Anti-Pobreza), de que "25% dos madeirenses vive com 551 euros mensais".
Segundo o coordenador do IL, Miguel Albuquerque "apressou-se a rejeitar estes números" quando "é o próprio Governo Regional que considera que há madeirenses a ganhar, 'per capita' familiar, essa ordem de valores".
"O PROAGES 2023, programa que beneficia famílias que apresentem rendimentos de trabalho, e não beneficiem de apoios da ação social, igual ou inferior a 576,52€, é a prova disso. Em novembro do ano passado o GR anunciava que o PROAGES seria reforçado com o valor de 800 mil euros", sublinha Nuno Morna.
O líder do IL diz que basta fazer "umas contas simples". Dá como exemplo "uma família de três pessoas, pais e um filho, onde os progenitores ganhem ordenado mínimo (785€), o rendimento "per capita" desta família (a 14 meses) é de 523,33€".
"Uma vez que mais de 40% dos madeirenses não pagam IRS, porque o seu rendimento os isenta disso, não é difícil calcular que a esmagadora maioria desses o que ganham é ordenado mínimo. E isto é indiciador de pobreza. Considerando o nosso limiar da pobreza, 81 mil madeirenses estão em risco", conclui.
Nuno Morna defende que "o combate à pobreza é um combate às suas causas. A falta de emprego, a incapacidade de fazermos com que a educação funcione como meio de alavancagem social, a abordagem governamental que vê a solução na subsidiarização da pobreza, a enorme crise económica que vivemos e, primeiro que tudo, a inexistente estratégia de qualificação dos recursos humanos, estão entre as causas".
"Criar emprego, adequar a carga de impostos, equidade, educação, mercado livre, criação de condições que promovam o crescimento económico e a riqueza das famílias, inovação tecnológica, são o caminho a seguir", afirma.
Iolanda Chaves