A prevenção e combate aos incêndios florestais estiveram em destaque na conferência “Conversas com a Sociedade”, promovida pela Ordem dos Engenheiros- Região Madeira, que decorreu na Reitoria da Universidade da Madeira.
De acordo com um comunicado, o debate reuniu contributos científicos, operacionais e institucionais, centrando-se na necessidade de uma abordagem integrada à gestão do risco florestal, aliando tecnologia, planeamento e presença permanente no terreno.
Segundo a mesma nota, durante a sessão foi destacada a importância da gestão ativa da floresta e da monitorização contínua, num território que regista cerca de 70 ocorrências anuais de incêndio, maioritariamente de pequena dimensão.
O presidente do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, Manuel António Filipe, apresentou uma estratégia assente na modernização tecnológica e na prevenção estrutural, destacando a utilização de drones e tecnologia LiDAR no apoio à deteção e gestão do risco.
Segundo explicou, o sistema LiDAR permite uma leitura tridimensional da floresta, identificando densidade de biomassa, continuidade de combustível e áreas críticas de intervenção.
O responsável destacou ainda o trabalho desenvolvido no terreno através da Polícia Florestal, Sapadores Florestais e Vigilantes da Natureza, bem como a manutenção anual de cerca de 200 quilómetros de caminhos florestais, faixas de gestão de combustível e ações de sensibilização pública.
Durante o painel, Ferdinando Abreu alertou para a escassez de engenheiros florestais na Região. Segundo referiu, dos 28 profissionais registados, apenas sete exercem atualmente funções no terreno.
O especialista defendeu a necessidade de tornar a profissão mais atrativa e reforçar políticas de fixação de quadros qualificados.
Em resposta, Manuel António Filipe anunciou a abertura de concursos para 40 polícias florestais e 20 sapadores, numa tentativa de reforçar a capacidade operacional do setor.
A sessão contou também com a participação de Miguel Ángel Martín Blanco, responsável pelos EIRIF nas Canárias, que alertou para o carácter estrutural dos megaincêndios e defendeu maior cooperação técnica entre regiões insulares como Madeira e Canárias.
O especialista apontou ainda desafios comuns, como o abandono rural, a pressão turística e a necessidade de melhorar os mecanismos de evacuação em situações extremas.
O debate concluiu que a combinação entre tecnologia avançada, gestão ativa da paisagem e reforço dos recursos humanos será determinante para aumentar a resiliência da Madeira perante incêndios florestais cada vez mais complexos.