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Artigo de Opinião

Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz

4/03/2026 08:00

Vim para a política por acreditar na nobreza de uma missão que deveria ter por objetivo o serviço público e a luta incansável e constante pelo interesse da população. Confesso que é ainda esta crença que me anima, mas o exercício diário da política tem-me obrigado a confrontar com todo um sistema paralelo, onde a prática comum roça a indignidade e a mentira. Nos palcos públicos, como são as reuniões da Assembleia Municipal, aquele que deveria ser um terreno de sã convivência democrática e de profícuo debate, não raras vezes resvala para a pura indignidade e para a mentira reiterada e gratuita.

A ideia é criar um lamaçal, dentro do qual já não se consiga distinguir o trabalho da falsa retórica, a verdade da mentira. Tudo embrulhado na constante suspeição infundada, que tenta fazer escola e criar uma realidade alternativa, que se quer impor à força de quem fala mais alto, de quem interrompe constantemente e de quem não respeita, mas grita que quer ser respeitado.

Em vez de uma democracia construída com base na verdade e na dignidade, estes fóruns depressa se transformam num faroeste sem lei, com pistoleiros de ocasião e com a mentira veloz como uma bala num deserto de ideias, mas suficientemente ruidosa para criar a ilusão de uma razão que, contudo, falha nas suas bases e na sua coerência profunda. Isto porque não raras vezes o barulho está cheio de um vazio total de verdade.

A única coisa que nos salva a todos e que nos dá força é a legitimidade que o povo nos deu e a certeza de que a memória coletiva ainda está viva e sabe exatamente de que passado vêm estes paladinos de pés de barro, que rasgam as vestes num teatro de má qualidade.

E, afinal, o que tanto se critica chega a ser risível, para não dizer ridículo. Como se pode criticar, por exemplo, um saldo de gerência positivo, principalmente quando quem o faz são os campeões do endividamento, os criadores da falência financeira de todo um município, os obreiros de saldos negativos e de orçamentos empolados?

Como se pode criticar a criação de regras na atribuição de dinheiros públicos, quando se tem um passado de medidas avulso, de atribuição de apoios ao gosto do freguês, de total ausência de planeamento e de transparência na gestão da coisa pública?

O mais grave é que tudo isto é exercido com uma certa ideia de que o poder lhes foi tirado à força, e de que a legitimidade dos agora eleitos é uma espécie de poder menor face ao tempo em que aqui estiveram a gerir o que é de todos como se fosse seu.

Felizmente, Santa Cruz escolheu um novo rumo, e este rumo é necessariamente diferente, porque alicerçado em regras, porque centrado no bem comum, porque apostado em construir um futuro para todos e um projeto de desenvolvimento sustentado.

De mim, e da minha equipa, podem esperar trabalho. E esta não é uma afirmação vã, mas um esforço de centrar a política na sua mais nobre missão, que não é, nem nunca será, a retórica plana de quem grita mais alto e durante mais tempo, mas sim a razão e a ação de quem sabe que, antes de tudo, a política é serviço, é representação de um coletivo, é gestão de um território, é trabalho.

A política, para mim e para a minha equipa, é uma oportunidade de desenvolver um trabalho em prol da nossa terra, porque também é aqui que residimos e é aqui que lançámos a esperança de um futuro melhor.

Acreditamos que é possível a política ser um território nobre, e tudo faremos para que as pessoas não se afastem ainda mais, para que o descrédito não ganhe terreno e para que a democracia não seja palavra vã.

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