Hoje, volto a escrever sobre mulheres. Uma em concreto, E, não é, apenas e sobretudo, por estarmos no mês de março. Escrevo, curiosamente, porque recebi uma mensagem, com um pedido especial, de uma outra, que me deu muito em que pensar. Sobretudo, no futuro.
Primeiro, pensei que tinha entrado numa crise de meia-idade. Depois, fiz-me à vida. Não é por estar com 51 anos feitos, que vou viver em crise. Optei, e bem, por valorizar a maturidade, sem garotices. De facto, a idade já não é o que era. E, sim, sou uma miúda, considerando a minha juventude de espírito. Mas, também tenho tido os meus dias. Uns de grandes resoluções, interiores, outros, felizmente, nem tantos assim, de desilusões, superiores. Uns e outros, transformadores. De superação. Valorizando a consciência da minha finitude, para viver, de verdade. Com mais verdade, diria. Todos os dias. Neste curto diálogo que estabeleci, por WhatsApp, respondi afirmativamente, ao pedido especial que me tinha sido feito. Longe, estaria eu de pensar, que me levaria a escrever tanto. Cada palavra, o seu peso. Não da idade, mas das prioridades. Do tempo. Na forma em como passei a priorizar o que é essencial. Um exercício, sim, pois só lá vai com treino, que deixo aqui, em forma de crónica.
Hoje, mais pessoal. Fui criada e vivi, rodeada por grandes mulheres. Que sorte, a minha. E, aos poucos, e em determinadas alturas da minha vida, vou-me lembrando do que aprendi com elas. Sem me dar conta, absorvi tudo. Sobre o medo, sobre a coragem. Sobre a finitude. A beleza. Sobretudo aquela que vem acompanhada por um interior, ainda mais belo. Parece uma frase feita, mas existem, de facto, belos exemplares assim. De alma cheia. Não vou escrever, de novo, sobre a minha querida avó.
Hoje, lembrei-me de uma outra mulher, também ela portadora de uns belos olhos claros (e doces), que em tudo colocava, de forma muito elegante e requintada, a sabedoria e maturidade, próprias da sua longa idade. Quem me dera envelhecer assim. Lembrei-me tanto dela, através de uma das suas netas. A Constança Entrudo. Ao ouvi-la. Não só pela voz, como pela presença. É uma miúda forte. Determinada. Imaginei logo o orgulho (e vaidade boa), que não teria tido ao me contar que a neta tinha falado sobre os meandros da moda e do design têxtil em Portugal, nas Nações Unidas? Imagino. Ouvi-la foi, de facto, um orgulho. Para mim. Para a Madeira. Para Portugal. “Moldando o Futuro: Design de IA para as Pessoas e o Planeta”, foi o tema do painel, em que Constança Entrudo participou, na última quinta-feira, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. A Constança Entrudo, é uma das mais jovens artistas expoentes do design têxtil, em Portugal. Cresceu na Madeira. E transportou essa vivência, através de referências aos nossos bordados e artesanato, para o debate, na ONU, sobre o uso da Inteligência Artificial no setor da moda. Foi transformador, ouvi-la. Sigo-a, de forma discreta, há já alguns anos. Antes da sua participação na ModaLisboa ou da sua passagem pela Balmain, em Paris. Fui sabendo das suas conquistas, de forma informal, digamos. Ao ouvi-la falar sobre o posicionamento de Portugal, no setor da moda, a busca por uma cadeia de suprimentos mais sustentável, até o uso Inteligência Artificial, na produção, e em como o nosso país tem todas as condições ideias para se tornar uma referência global, no universo da moda, nos próximos anos, dei comigo a pensar: como esta miúda cresceu. Esta mulher vai longe. Ganhei o dia, sobretudo, por estarmos no mês de março. Go, go, Constança Entrudo.