A Câmara Municipal do Funchal voltou a reforçar o apoio às associações de proteção animal do concelho, através da assinatura, esta manhã, dos protocolos de cooperação para 2026 com cinco entidades locais: a AMAIS, a Patinhas Risonhas, a Vamos Lá Madeira, a Ajuda a Alimentar Cães e a SPAD.
Pelo quarto ano consecutivo, o município atribui um apoio financeiro destinado sobretudo à esterilização e castração de animais errantes e de famílias em situação de carência económica.
No total, cada associação receberá 17 mil euros, num investimento global de 85 mil euros, valor que representa um aumento de 13% face ao ano anterior, destacou o presidente da autarquia. Desde o início desta colaboração, em dezembro de 2022, já foram esterilizados 1.604 animais no Funchal.
Jorge Carvalho sublinhou que estas instituições são “parceiros fundamentais” no controlo de animais errantes, vacinação e promoção do bem-estar animal. “Estas associações estão mais próximas dos diferentes contextos sociais e têm maior capacidade de resposta, quer junto das famílias, quer através da articulação com clínicas veterinárias”, afirmou.
Apesar dos resultados alcançados, o autarca reconhece que o problema continua a exigir um esforço coletivo. “A esterilização é um dos aspetos fundamentais para diminuir o número de animais errantes, mas é necessária também uma maior consciencialização da população para evitar o abandono”, defendeu.
Por seu turno, a vereadora Paula Jardim deu conta que o canil municipal tem atualmente cerca de 400 animais, entre cães e gatos. Ao nível das adoções, entre 2021 e 2025, foram adotados 1.253.
Filomena César, responsável pela associação Patinhas Risonhas, considera que o apoio municipal é essencial para dar continuidade ao trabalho desenvolvido no terreno. “As associações fazem este trabalho com grande esforço e esta ajuda dá-nos mais força e coragem”, afirmou. A dirigente explicou que a associação conta atualmente com apenas três voluntários dedicados às capturas de animais, embora continue a apoiar famílias carenciadas e colónias de gatos errantes.
Segundo Filomena César, o abandono de animais continua a ser uma realidade preocupante. “Ainda há muitos gatos errantes e muitas colónias. Quando alguém nos pede ajuda para esterilizar uma colónia sabemos que haverá menos ninhadas e menos sofrimento”, referiu.
Também Sara Machado, da AMAIS, alertou para a dimensão do problema na Madeira. “Fazemos muitas esterilizações, mas a situação ainda está descontrolada, sobretudo no caso dos gatos”, disse, defendendo um esforço conjunto entre todos os municípios da região para combater o fenómeno.
De salientar que as associações elogiaram a política da autarquia no apoio “efetivo e real” à causa animal, que não se limita a iniciativas pontuais, mas a ações que perduram.