MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Deputada do PSD/M na ALRAM

25/03/2026 07:30

O envelhecimento da população tem consequências sociais, políticas e económicas de grande alcance para as sociedades. Este facto chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde, que lançou em 2019 a Campanha Global de Combate ao Idadismo.

O idadismo é a discriminação, o preconceito e o estereótipo baseado na idade de uma pessoa, afetando maioritariamente idosos, mas também jovens. Envolve crenças de que certas idades são inferiores ou incapazes; este fenómeno tem vindo a se enraizar na sociedade, provocando exclusão social, com sérios impactos ao nível da saúde mental das pessoas, das famílias e da comunidade.

O idadismo é bidirecional, porque visa tanto os mais jovens como os mais velhos. Os mais jovens têm atitudes negativas em relação aos mais velhos, mas os mais velhos também têm atitudes negativas em relação aos mais jovens. Por comparação com os adultos de meia-idade, tanto aos mais jovens como aos mais velhos é geralmente atribuído um estatuto social inferior no que diz respeito a poder, riqueza, respeito, influência e prestígio.

No nosso dia-a-dia, somos confrontados com vários exemplos de idadismo. A começar, o institucional, com comentários sobre a velocidade de trabalho de um colega mais velho ou assumir que não se adaptam a novas tecnologias, assumindo que uma pessoa mais velha tem menor produtividade ou incapacidade de aprender. Em segundo lugar o interpessoal: há uma tentação quase geral de infantilizar os idosos, tratando-os como crianças, excluindo-os de conversas e utilizando expressões como “já não tem idade para isso”. Em terceiro lugar o idadismo internalizado, ou seja, a própria pessoa mais velha acredita que já não é capaz de aprender coisas novas ou de adotar passatempos “para jovens”.

A equipa de investigação age@work realizou um projeto de investigação de três anos sobre o idadismo bidirecional em Portugal, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Realizaram-se mais de 20 inquéritos a cerca de 1000 pessoas e foi levada a cabo uma experiência para predizer com rigor os efeitos do idadismo nos resultados do local de trabalho.

Uma das principais conclusões deste projeto recaiu sobre as consequências económicas do aumento substancial do número de idosos; efetivamente há uma grande pressão imposta aos sistemas de segurança social e de pensões, razão pela qual muitos países da OCDE alteraram as suas políticas em matéria de reforma antecipada e pretendem aumentar a participação laboral dos trabalhadores mais velhos.

Outro aspeto realçado nesta investigação mostra que 17,1% da população adulta portuguesa referiu ter sido vítima de discriminação em função da idade. Os indivíduos com mais de 65 anos de idade foram os que relataram mais discriminação com base na idade, tendo ambos os géneros relatado níveis semelhantes. Por outro lado, os trabalhadores mais jovens (42,3%) também reportaram níveis moderados ou elevados de discriminação relacionada com a idade, por comparação com os trabalhadores de meia-idade (28,6%) e os mais velhos (25,6%).

Face a este cenário, é fundamental educar todas as gerações e garantir que o envelhecimento seja visto de forma positiva e saudável, combatendo o idadismo como uma barreira à dignidade e participação social dos idosos. A promoção de interações entre diferentes faixas etárias para combater o isolamento e construir uma cultura de respeito, é crucial no contexto de envelhecimento que a Madeira enfrenta. Esta educação e este respeito intergeracional é uma missão coletiva, cabe a todos nós, mas começa primeiro que tudo nas nossas casas e nas nossas famílias, porque o foco deve ser centrado na vida, não nos anos.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Geógrafo / Colaborador Europe Direct Madeira
23/03/2026 03:30

Pois, boa pergunta! Agora, há que “engolir em seco” a mais recente trapalhada de Trump. Mais uma, diga-se, para juntar ao extenso rol de decisões desastrosas...

Ver todos os artigos

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Como encara a grande subida do preço dos combustíveis?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas