Após 10 anos de um modelo de subsídio social de mobilidade (SSM), negociado pelos governos de Passos Coelho e Miguel Albuquerque e que tiveram como virtude fazer disparar o preço das viagens, eis que Montenegro decide fazer algumas alterações, supostamente para simplificar o processo e antecipar pagamentos.
Ora bem, é certo que o modelo atual permite o pedido de reembolso logo após a aquisição das viagens, é também evidente que não está ao alcance de muitas pessoas devido à complexidade que foi criada por uma plataforma digital nada intuitiva e que obriga os passageiros a terem a sua chave móvel digital ativa (ou um leitor de cartões de cidadão) e terem competências no mínimo intermédias nos meios digitais, para conseguirem concluir o processo. Muitas pessoas passaram a ficar dependentes da ajuda de terceiros para conseguirem pedir o reembolso do SSM.
Será que são assim tão incompetentes! É que se o modelo já era mau, agora ficou péssimo. A mania de querer inventar quando é tão simples copiar modelos existentes, é mesmo de gente ignorante.
Mas, mais grave ainda, o PSD de Montenegro, queria exigir que todos os madeirenses tivessem de apresentar as declarações de não dívida das Finanças e da Segurança Social para poderem pedir o seu reembolso. Nas palavras do execrável centralista Hugo Soares, era o que faltava os madeirenses devedores andarem a viajar à custa dos contribuintes do continente. É este o pensamento do PSD.
Por iniciativa do PS na Assembleia da República, essa exigência caiu, com os votos contra do PSD. Os deputados do PSD-Madeira até votaram a favor da proposta do PS-M, mas calaram-se, foram silenciados pelo seu líder Hugo Soares que benevolentemente disse que poderiam não cumprir com a disciplina de voto do PSD. Agachados! Calados! Submissos ao centralismo de Lisboa, tão bem vincado pelo discurso do líder da bancada do PSD.
Quem não se lembra do estilo combativo de Vânia Jesus, ou da vontade de afirmação de Pedro Coelho, ou de Paulo Neves que nos debates parece ser o maior defensor das autonomias? Onde estavam nesse quando se discutiu esse assunto tão importante para os madeirenses? Estavam lá, escondidinhos, a tentar passar despercebidos do chefe Hugo Soares. Bem como estavam lá quando os seus colegas de bancada aplaudiram de pé o discurso anti autonomias de Hugo Soares. Mas não tiveram a coragem nem de falar, nem de abandonar o hemiciclo após a vergonha provocada pelos aplausos dos seus companheiros de bancada. Ficaram lá e obedeceram ao seu líder centralista. Calados!
O PSD-M que tanto gosta de abanar a bandeira da autonomia e de se arrogar detentor da mesma, no ano em que se comemoram os 50 anos da consagração das autonomias, envergonhou os madeirenses e deixou bem claro que só fala alto quando não é o PSD no poder. Já quando são todos do mesmo partido as coisas são diferentes. O respeito pela autonomia e pelos madeirenses passa para segundo plano! O PSD foi responsável pelo maior ataque à Região desde que Passos Coelho, também do PSD, impôs um PAEF a todos os madeirenses devido aos desvarios da governação de Jardim. Aí também ficaram com as calças na mão. Jamais um governo socialista seria capaz de atacar a autonomia das regiões e muito menos rebaixá-las em plena Assembleia da República ou em qualquer outro lugar. Jamais! Porque o PS foi o partido fundador da autonomia e esteve sempre ao lado das regiões autónomas. Seja quando perdoou a dívida da região, seja quando celebrou contratos programa para a construção de habitação, seja quando aprovou a lei de meios, ou quando decidiu financiar a construção do novo hospital. Solidariedade, coisa que o PSD não sabe o que significa nem a pratica. O PSD é um partido centralista, autoritário e arrogante.