A água acumulada nos campos agrícolas do Baixo Mondego, potenciada pelo rebentamento da margem direita do canal principal do rio, na quarta-feira, subiu cerca de meio metro junto a Montemor-o-Velho em cerca de quatro horas.
A reportagem da agência Lusa constatou a subida das águas na zona sudeste desta vila do Baixo Mondego, junto à localidade de Casal Novo do Rio – umas das povoações ameaçadas por inundações nas próximas horas – que cobriu totalmente os acessos ao centro náutico local, e tapou sinalização de trânsito.
Entretanto, o município alertou para o “risco elevado de inundação”, abrangendo, para além do Casal Novo do Rio, Montemor-o-Velho, Lavariz e Ereira.
A Câmara de Montemor-o-Velho pediu à população para que prepare o kit de emergência, com roupa, medicação, documentos de identificação e bens essenciais, prevenindo a eventual necessidade de evacuação.
Como locais de segurança, a Câmara apontou o Pavilhão Municipal de Montemor-o-Velho e, na Ereira, a Associação Cultural Desportiva e Recreativa.
Naquela zona do Casal Novo do Rio, que a Lusa constatou, a inundação nas estradas e campos agrícolas tem mais de 1,5 metros de altura em certos locais. A água está a acumular-se em mais quantidade e a exercer pressão sobre a margem esquerda do leito periférico direito, o canal artificial que leva a água das localidades a nordeste, junto à estrada nacional (EN) 111, para o canal principal do Mondego, a sul – a exemplo do sucedido nas cheias de 2019.
O leito periférico direito apenas consegue descarregar água no leito principal do rio se este estiver a uma cota inferior, o que não tem acontecido.
No mesmo local, o chamado leito abandonado do Mondego – que corre ao longo da zona ribeirinha de Montemor-o-Velho em direção à isolada povoação da Ereira – passa por debaixo do leito periférico direito por uma canalização e sistema de sifões, uma zona conhecida pela população como a ‘embrulhada’ de Montemor.
Meios da Força Especial de Proteção Civil, com uma embarcação, e dos bombeiros de Montemor-o-Velho estão no local, junto à ponte das Lavandeiras, de prevenção.
Já elementos da Federação Portuguesa de Remo e da associação Naval Remo, da Figueira da Foz, têm vindo a retirar do Centro Náutico equipamentos desportivos da modalidade, com recurso a uma embarcação.
Durante um dos regressos à ponte das Lavandeiras, os dirigentes desportivos resgataram, no meio do lago enorme que se formou na última semana, um texugo, aparentemente em dificuldades.
O animal foi transportado para terra firme e logo saltou do bote para a margem e correu para uma zona de vegetação.