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Artigo de Opinião

Consultor

11/02/2026 08:00

Dizer “não” pode ser libertador, mas também intimidante. Esta dificuldade advém da ideia culturalmente instituída de que temos de estar sempre disponíveis e relaciona-se com o medo das consequências, sejam elas conflitos, rejeição ou até sermos interpretados como egoístas. Acabamos, assim, obrigados a concordar com coisas que não queremos fazer, a fim de sermos aceites. Consequentemente, desrespeitamos os nossos próprios desejos e necessidades. Como refere a psicóloga clínica Inês Sousa, num artigo da revista Visão: “Uma pessoa que está sempre disponível para todos, não está para si”.

Daí que existam benefícios claros em saber dizer “não”, tais como o reforço da estabilidade mental, do autocuidado, da autoestima e da confiança, que nos ajudam a saber estabelecer limites saudáveis nas diferentes esferas da nossa vida. A este respeito, todos temos vários papéis no trabalho, nas obrigações sociais e na dinâmica familiar. Esses papéis podem desafiar a nossa capacidade de estabelecer limites, com implicações na nossa saúde e bem-estar. Considere estabelecer limites em torno dos objetivos que tem para si mesmo. Por exemplo, se um dos nossos objetivos é estabelecer um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, aprenda a dizer “não” a uma chamada ou a uma reunião fora do horário normal de trabalho. Dizer “não” é também eficaz em algo tão elementar como as nossas redes sociais, não havendo problema em recusar um pedido de amizade ou em restringir o nosso perfil. Mas saber dizer “não” é particularmente importante nos nossos círculos de amizade. Não temos de estar sempre com os nossos amigos nem com todos ao mesmo tempo, pelo que quando um convite soa a exigência e um “não” é recebido com ironia ou irritação, o “sim” deixa de ser algo prazeroso e passa a ser encarado como uma imposição.

Embora dizer “não” possa gerar ansiedade, existem formas de facilitar o processo. Uma delas é aplicar o método sanduíche, que envolve colocar algo que as pessoas consideram negativo entre dois pontos positivos. Diga à pessoa algo positivo, seguido do “não” e termine com algo encorajador. Por exemplo: “Obrigado pelo convite. Hoje não vou. Mas gostaria de combinar algo de futuro, para podermos passar algum tempo juntos”. Outro aspeto importante é descobrir porque estamos a dizer “não”. É porque temos outros compromissos? Porque temos uma alternativa mais interessante? Porque não queremos ir a um evento com certas pessoas? Porque estamos cansados? Ou será simplesmente porque estamos saturados de convívios e precisamos de uma pausa na nossa agenda para estarmos sozinhos a recarregar baterias ou com aqueles que nos são mais íntimos? Refletir sobre esses sentimentos e reconhecer padrões reforça a nossa confiança.

Já a revista Forbes sugere três estratégias para aumentar a capacidade de dizer “não”: 1) pratique em pequenos pedidos sem grande importância, como quando lhe perguntam se quer ovos para o jantar; 2) imagine o pior cenário possível. Antecipando as consequências, questionando-se e conversando com alguém, percebemos que muitas vezes estamos a exagerar; 3) peça a opinião de outras pessoas e quebre o ciclo de medo. Todos sobrevivemos com uma pequena ajuda.

Em suma, existem muitas abordagens para dizer um “não” assertivo e devemos estar cientes de que nunca vamos agradar a toda a gente. Parafraseando Timothy Ferriss, autor best-seller do The New York Times e do The Wall Street Journal: “O que não fazes determina o que podes fazer”.

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