A Ordem dos Médicos Veterinários realizou esta manhã uma cerimónia de compromisso para receber os profissionais recém-inscritos na Região. Na ocasião, esteve em destaque a importância de criar mais condições para fixar profissionais na Madeira.
O evento contou com a presença do Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Pedro Fabrica, do diretor regional de pecuária e bem-estar animal, Daniel Mata, e do presidente do Conselho Regional da Madeira, João Teixeira. Esta cerimónia pretende aproximar as novas gerações da classe veterinária e reforçar o espírito de coesão dentro da profissão.
“A entrada numa profissão pode ser sempre um momento de muito contentamento, mas também de algum receio com certas incertezas futuras, principalmente no que toca à vida e ao trabalho”, afirmou o bastonário.
Para Pedro Fabrica, a cerimónia tem um duplo objetivo, transmitir a responsabilidade que a profissão exige e criar laços entre os novos profissionais e os mais experientes. “É como se fosse uma passagem de responsabilidade para a geração que entra. Eles que são o futuro da profissão e os líderes da Ordem dos Médicos Veterinários também”, sublinhou.
É, de referir, que a Região conta atualmente com cerca de 124 profissionais inscritos na Ordem, dos quais entre 100 a 103 se encontram em exercício ativo. Em 2025, sete novos profissionais concluíram a sua formação, sendo que seis dos quais se encontram na Região. “Para nós é um sinal de que a formação destes recém-inscritos chegou ao final e que a Madeira tem agora disponíveis seis médicos veterinários para garantir serviços na ilha, seja da parte privada, seja da parte pública”, explicou o bastonário.
Pedro Fabrica alertou para o envelhecimento dos quadros veterinários na função pública regional, manifestando preocupação com a “inexistência de uma renovação destes quadros”. A causa principal, afirma ser a “falta de uma carreira especial de médico veterinário na Madeira”, algo que daria aos profissionais a garantia de “uma carreira de progressão, de reconhecimento e de valorização”.
Quanto à escassez, Pedro Fabrica frisou que “há sempre procura de mais médicos veterinários, seja na Madeira, nos Açores ou no continente”, explicou, salientando que os serviços são assegurados à custa de profissionais que “estão sobrecarregados em termos de trabalho”.
No seu entender, a solução é simples: “O ideal seria realmente haver mais médicos veterinários na administração pública e nos serviços regionais”.
José Manuel Fonseca, veterinário com 52 anos de carreira, foi uma das figuras homenageadas na cerimónia desta manhã. Com a emoção à flor da pele, confessou que continua no ativo por “realização pessoal” e pelo gosto genuíno pela profissão que escolheu contra a vontade do pai.
“Trilhei e optei pela medicina veterinária por sentimento profundo”, recordou, explicando que o pai preferia que seguisse medicina, por ser mais rentável. “Mas é delicioso vestir o fato macaco e sentir o pulsar da nossa população”, afirmou.
O profissional garante que se mantém ligado à profissão com “todo o gosto”, ainda que numa perspetiva diferente. “Tenho a alma cheia, o coração cheio”, disse, emocionado ao rever colegas com quem partilhou décadas de trabalho. “Ao ver do palco, olhar para a plateia e sentir isso é muito reconfortante”, sublinhou, lembrando que muitos dos presentes trabalharam ao seu lado durante 20 ou mais anos.
José Manuel Fonseca admite que “é gratificante ser reconhecido quer no esforço, quer na qualidade de trabalho que é realizado, quer inclusivamente no vínculo de amizade”, afirmou.
João Teixeira, presidente do Conselho Regional da Madeira, considerou a cerimónia “uma boa notícia”, destacando que oito dos novos inscritos na região, seis têm intenção de permanecer na Madeira. Para além do juramento, sublinhou que “o evento é também o primeiro passo para a integração no mercado de trabalho” e representa uma oportunidade para os novos profissionais conhecerem “os direitos e os deveres que esta profissão acomete”.
Ainda assim, reconhece que os desafios persistem. João Teixeira afirmou que o Conselho Regional luta por uma carreira veterinária na administração pública, que considera ser “de toda a justiça devido à responsabilidade e especificidade da nossa profissão e pelo combate à precariedade no setor privado”. Para o presidente, o grande objetivo é manter os bons profissionais, evitando que emigrem por falta de condições. “Se perdermos para o estrangeiro, pode levar anos para recuperar e ter novos colegas”, alertou, concluindo que “é urgente retermos aqui estas novas gerações”.
Na cerimónia quatro recém-inscritas receberam a declaração de compromisso dos médicos veterinários, sendo elas, Catarina Neves, Alice Cabral, Vitória Caldeira e Marta Marques.