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Artigo de Opinião

Economista

18/04/2026 08:00

Há precisamente dois anos participei no meu último congresso do PSD-Madeira, para apresentar uma moção que traçava uma clara linha vermelha à colaboração social-democrata com partidos de extrema-direita. Ignorando os fundamentos da social-democracia de Sá Carneiro, os militantes rejeitaram a moção e decidiram continuar o perigoso processo de normalização do Chega. Escolheram um pragmatismo que roça o puro oportunismo, tal como o PSD a nível nacional fez, quando o inicial “não é não” de Luís Montenegro rapidamente se transformou numa mera transação para salvaguardar aritméticas parlamentares. Vimos isso na forma como o governo da AD mesclou, a nível nacional, a temática da imigração com a lei da nacionalidade. Essa foi a gota final que determinou o fim da minha militância no PSD.

Hoje vejo, pela comunicação social, os preparativos de um novo congresso. Um congresso que se prevê “morno”, tal é o grau do consenso reinante. Longe vão os tempos em que, no próprio PSD, havia vozes a reclamar maior pluralidade de opinião, mais participação de uma sociedade civil dinâmica e menos ‘pensamento único’. Quanto mais plural for um partido, maior representatividade social agregará junto da população. A longo prazo, o oposto também é verdade. Porque se retirarmos a gestão do poder, o que resta é (ou deveria ser) uma partilha comum de princípios ideológicos fundamentais, que podem ter ligeiras variações consoante a tipologia de militância. A riqueza de um partido está na gestão dessas características e tendências internas; não na mera distribuição de cargos e bens terrenos.

Contudo, os confortáveis resultados eleitorais regionais chutaram para canto os apelos à prática de procedimentos mais democráticos dentro do partido. Aburguesou-se o PSD, diriam alguns fundadores.

Em dia de congresso, deixo aqui uma breve reflexão de um resultado eleitoral que deveria preocupar a atual liderança: o verdadeiro elefante na sala. Um tema que deveria causar maior introspeção do que o difícil dilema de convidar ou não dirigentes nacionais, que parece ser o leitmotif deste congresso. Nas mais recentes eleições para a Presidência da República, André Ventura não só venceu na primeira volta na nossa região, como, em ambas as voltas, registou na Madeira um resultado consideravelmente acima do que obteve a nível nacional: +9,9 pontos percentuais na primeira volta e + 10,6 na segunda volta. Este é um resultado inequívoco de uma maior normalização do discurso de extrema-direita na nossa Região. Uma normalização que resulta da incapacidade dos dirigentes em fechar a porta a esse discurso, sinalizando direta e indiretamente ao seu eleitorado que a tolerância negocial se pode transformar em saltos eleitorais (laterais) à extrema-direita.

Para terminar, em 2015 foi um processo democrático interno vivaz da “Renovação” que trouxe credibilidade política à perpetuação do PSD no poder. Até quando valerão esses créditos passados perante a estagnação atual?

Sugestão da Semana: Hoje pelas 19 horas no Fórum Machico, Miguel Carvalho apresenta o seu livro Por dentro do Chega: A face oculta da extrema-direita em Portugal, fruto da sua extensa investigação sobre as origens, o financiamento e as personagens que criaram este partido em Portugal. Um livro que é um contributo importante para o escrutínio independente à vida política deste partido. Um debate a não perder!

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