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Ainda há perigo em Chernobyl: documentário revela segredos do desastre nuclear

Data de publicação
18 Abril 2026
9:31

O novo documentário “Chernobyl: Por Dentro do Desastre”, que se estreia no domingo no National Geographic Portugal, mostra que ainda há perigo na zona onde ocorreu o maior acidente nuclear da história, então parte da Ucrânia soviética, em 1986.

“É extremamente importante para todos nós refletirmos sobre Chernobyl 40 anos depois”, disse à Lusa Wyatt Andrews, que foi correspondente da CBS News, cobriu o acidente nuclear a 26 de abril de 1986 e participou na série. “O documentário é muito útil nessa perspetiva. Ainda há um perigo desconhecido nas profundezas da terra e junto ao lençol freático”.

O que não se sabe, salientou Andrews, é se um ataque, uma explosão ou um falhanço imprevisível podem desestabilizar o urânio que continua enterrado no local. “Ainda está a emitir quantidades poderosas de radiação”, frisou o jornalista.

Dividido em quatro episódios, “Chernobyl: Por Dentro do Desastre” inclui relatos inéditos de pessoas que viviam em Pripyat, a meros dois quilómetros da central nuclear, o testemunho de um analista nuclear da CIA que nunca tinha falado, entrevistas com engenheiros que estavam na central na noite do desastre e também com sobreviventes das operações de contenção.

A explosão do Reator 4 provocou a libertação de toneladas de combustível nuclear e dejetos, obrigou à evacuação total de 350 mil pessoas e causou 30 mortos no rescaldo imediato. Dezenas de milhares de pessoas viriam a morrer nos anos seguintes devido a cancros provocados pela radiação.

Nos países europeus, incluindo em Portugal, houve receio de que a radiação contaminasse a água e a cadeia alimentar. A série documental mostra esses tempos de intensa preocupação, explica como o acidente aconteceu e o que resta hoje da central e do reator onde ocorreu a explosão.

“Do lado de fora, a central de Chernobyl parece-se com qualquer outra central de energia nuclear”, disse à Lusa a produtora local da série, Jenia Bilous. Ainda há pessoas a trabalhar na manutenção e mesmo dentro dos edifícios e corredores administrativos parece um local de trabalho industrial normal.

“Mas quando se entra em áreas como a Sala de Controlo 4, a sala das bombas ou o reator, a atmosfera muda completamente”, afirmou a produtora, descrevendo um ambiente pesado que causa impressão duradoura. “É difícil de descrever, têm mesmo de o ver no filme para o sentir”.

Para filmar nos locais, a equipa teve de usar proteção e recebeu instruções de quem trabalha lá e tem de seguir regras muito estritas para garantir a segurança. “Antes de entrar, vestimos roupa protetora e levámos dosímetros portáteis para monitorizar os níveis de radiação”, contou a produtora ucraniana. “Havia também muitas pequenas regras importantes – por exemplo, não nos era permitido pousar equipamentos no chão, por isso tínhamos de carregar tudo connosco o tempo todo”.

Jenia Bilous referiu que a equipa só podia ficar em determinadas áreas por tempo limitado, devido ao risco, e isso obrigou a um cumprimento preciso dos planos de filmagem. Era uma consciência constante da enormidade do que aconteceu ali.

Com recurso a imagens históricas, a série contrasta o que era a vida em Pripyat antes do acidente e o que é agora, mostrando o impacto profundo do desastre em entrevistas com sobreviventes.

“Quarenta anos depois, Pripyat é uma cidade que está lentamente a ser retomada pela natureza”, notou Bilous, descrevendo ruas tomadas por árvores, com relva e arbustos a brotar pelas fendas dos passeios.

Os edifícios continuam de pé mas é perigoso entrar neles, porque há janelas partidas, paredes a desmoronar e soalhos instáveis pela passagem do tempo e pelo abandono.

“Em todo o lado há traços das vidas que outrora encheram a cidade: escolas e jardins de infância vazios, blocos de apartamentos abandonados, recreios congelados no tempo”, disse Bilous. “Brinquedos, camas e objetos do quotidiano continuam ali, como se as pessoas tivessem simplesmente ido embora para nunca mais regressar”.

A produtora notou que o silêncio é esmagador ao caminhar pela cidade. “Quase dá para sentir como a vida parou repentinamente”, afirmou. “Pripyat é hoje ao mesmo tempo bela e inquietante. Não são apenas ruínas. É um espaço que parece suspenso, algures entre o passado e o presente”, continuou. “Não desapareceu completamente, mas também já não tem vida”.

Bilous salientou que a tragédia não terminou na noite de 26 de abril, espalhando-se silenciosamente pela vida das pessoas. “O seu impacto foi ecológico, médico, psicológico e social”, disse. “E ainda vive nas memórias, no medo e nas vidas dos que foram afetados”.

“Chernobyl: Por Dentro do Desastre” estreia-se no domingo, 19 de abril, com episódio duplo às 22:30 no National Geographic.

Os outros dois episódios vão para o ar a 26 de abril, assinalando os 40 anos do desastre.

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