Às portas de um novo Mundial de Futebol, é incontornável não falar de Cristiano Ronaldo.
Um Madeirense que se tornou, por mérito próprio, num ícone mundial.
Portugal com quase 900 anos de história, que teve e tem gentes que deram e dão tanto ao Mundo, tem em Cristiano Ronaldo, possivelmente, o seu nacional mais conhecido de sempre.
Obviamente que o mundo mediático e global que vivemos, ajuda na difusão da informação sobre quem é Cristiano Ronaldo.
Vasco da Gama, por exemplo, se realizasse o seu maior feito hoje em dia, era igualmente conhecido à escala mundial.
Contudo, honra seja feita ao “homem”, o mérito é todo dele.
Cristiano Ronaldo ao longo do seu trajeto, sempre fez as coisas “à sua maneira”.
Tem uma disciplina de ferro, um talento único e completo para o futebol, uma mentalidade fortíssima e um espírito competitivo gigante, que na minha opinião, nunca vi igual, em mais nenhum desportista, seja em que desporto for.
Um verdadeiro campeão.
A dimensão que alcançou, influencia e promove tudo o que toca, qual “Rei Midas”. Muito do que é a Federação Portuguesa de Futebol atualmente, deve a Cristiano Ronaldo.
Ele trouxe uma nova mentalidade para o desporto, influenciando milhões de jovens.
Já teve momentos futebolísticos que perdurarão por décadas no futebol.
A influência que tem num País riquíssimo como a Arábia Saudita, é algo que demonstra bem o que é a sua marca.
A sua apresentação no Real Madrid – um clube que representa a exaltação da identidade espanhola – ser acompanhada com a música portuguesa dos Xutos e Pontapés “À Minha Maneira”, em pleno Estádio Bernabéu, demonstra bem a atitude, coragem e orgulho nas origens de Cristiano Ronaldo.
É impossível ficar indiferente, perante tal personalidade.
Uma personalidade, que com as “forças que o empurram, e os murros que o esmurram, só o farão fazer lutar, mas sempre, sempre, à sua maneira”.
No entanto, não fosse Cristiano Ronaldo um virtuoso, é muitas vezes criticado gratuitamente.
Ninguém é perfeito, e ainda bem que a perfeição não é uma característica humana, mas por vezes, é alvo de sentimentos mesquinhos, em vez de se focarem na virtude.
Infelizmente em Portugal, também isso acontece.
Não é por acaso que a última palavra da nossa maior obra “Os Lusíadas”, do mui ilustre Luiz Vaz de Camões, é a “inveja”.
A palavra surge na última estrofe do Canto X, e constitui uma forte crítica social da época (no longínquo ano de 1571).
Era um desabafo do Poeta, para contrastar a glória dos Descobrimentos, com a decadência moral da sociedade de então.
A sociedade Portuguesa, estava mergulhada na inveja, na cobiça e no desinteresse pelas grandes conquistas.
E Cristiano Ronaldo, como ser virtuoso, talentoso e de sucesso que é, é invejado dentro e fora de Portugal.
Fora de Portugal, porque gostavam de ter nacionais que tivessem alcançado os seus feitos, e também, porque convém dizer mal daqueles que ofuscam os seus heróis.
Dentro de Portugal, pela existência de alguma ignorância ou preguiça, e sobretudo, por sentimentos de pessoas não conseguem atingir a virtude ou o sucesso do outro, e preferem rebaixar para se sentirem melhor.
O que Kierkegard apelidava de “admiração que se dissimula”.
O exemplo de Cristiano Ronaldo tem de ser inspirador, para que Portugal, sem complexos existenciais, tenha mais personalidades influentes, seja nas artes, ciências, desporto ou política.
Por fim, porque o momento assim o exige, temos um ilustre Madeirense que se continuar a fazer as coisas “à sua maneira”, pode ser que alcance o título Mundial de Futebol para Portugal, o que será certamente um grande motivo de alegria para todos.