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Artigo de Opinião

Os Partidos políticos são indispensáveis a um Regime Democrático. Têm de existir, ser livre a Sua constituição e funcionamento. Mas dentro de soluções legais em que a Sua criação, existência e actividades não seja parricídio da Democracia.

Hoje, na Europa, há que retornar aos Valores.

Os grandes Partidos políticos europeus formaram-se à volta de Valores. Até mesmo os partidos totalitários, fascistas de “direita” ou de “esquerda”, assentam nos pseudo- “valores” tenebrosos deles.

A própria construção da Europa Unida assenta em Valores. Uma apetência pelo que objectiva e comumente idealizado como o BEM.

Anos após a criação da União Europeia, os próprios mecanismos sociológicos, económicos e políticos do Regime Democrático subverteram a Política de Causas, na Sua raíz, trocando-A por “políticas de interesses” e a estas moldando os Sistemas Políticos dos Estados. Trouxe à degradação presente.

Os excessos de gastos para suportar sucessivas campanhas eleitorais, cada vez mais caras, porém de espectacularidade onerosa, necessária à atração dos eleitores de Formação menos sólida, a par da indispensabilidade de máquinas partidárias pesadíssimas, tornou os Partidos políticos capturados pelos interesses dos seus financiadores.

Em consequência, a procura, em Liberdade, do Bem Comum susceptível de dignificar todo e cada um dos Cidadãos, numa indispensável prioridade política da Pessoa Humana sobre o Estado e restantes Instituições públicas e privadas, vem sendo substituída, muitas vezes, pelo predomínio dos interesses de quem está pagando.

O gigantismo dos custos que hoje sustentam a existência dos principais Partidos políticos, também deriva de as leis, em exclusivo, praticamente formatá-los assim. Exige uma quantidade grande de proponentes para criá-Los. E, no caso português, vincula-os a uma dimensão nacional.

Não está em causa a liberdade de financiamento dos Partidos políticos. Em coerência democrática, vou o mais longe possível: “é proibido proibir”, cada um paga o que quiser e a quem muito bem entender.

Mas com uma condição rígida que, se violada, implique prisão efectiva para as duas partes: absolutamente obrigatório saber-se publicamente quem paga a quem.

Por as coisas, na Europa, não estarem claras, é que as “sociedades secretas”, através de financiadores, também mandam nos Partidos políticos.

Não tenhamos medo do Eleitorado. “O Povo não é tonto”. Exceptuando alguns basbaques que, por interesses pessoais, autocegam-se na prática das fidelidades caninas aos que mandam e lhes pagam. Seja quem fôr, lambem sempre quem estiver por cima.

Mas, o importante é que, tudo às claras, o Povo saiba quem paga a quem, e porquê. O Povo sabe que é Dever de quem pode ajudar os Partidos políticos que melhor defendam a colectividade.

Aliás, é tempo de acabar com esse analfabetismo de considerar “má pessoa” ou perigoso, quem tem posses. Como de considerar “coitadinho” aquele que rouba no privado ou no público, ou aquele que não quer trabalhar, mas sim viver à custa dos que trabalham!

Depois, a questão do controlo interno dos Partidos.

É que a dificuldade antidemocrática de constituir Partidos políticos, serve o jogo dos “interesses”, na medida em que, por vezes, urdem-se as maiores aldrabices, “vendem a alma ao diabo” - sempre o dinheiro a funcionar, claro... - para ganhar lutas no interior das organizações partidárias e, assim, conquistar um poder interno que pode levar ao Poder sobre colectividades de várias dimensões.

Eis outra matéria, a par das anteriores, em que o objectivo de Regeneração dos Regimes Democráticos exige urgente intervenção legal.

Mais. O partidarismo oligárquico e doentio que vem destruindo a Europa, reflecte-se também na vida sindical.

Na Europa, temos uma grande maioria de organizações sindicais controladas por Partidos políticos, com dirigentes sindicais de facto não trabalhando, no fundo controlados indirectamente pelos interesses dos financiadores desses mesmos Partidos.

Reparem: Partidos, nas mãos de financiadores, a controlar Sindicatos! Bonito!...

Coitado de quem trabalha, em condições e com condições que deviam ser melhores!

E até a “esquerda folclórica”, com o seu “paleio de chacha” à século XIX, controla vários sindicatos. Mas disfarça os financiamentos que também recebe dos tais “capitalistas” que tanto apostrofa, uma espécie de “imposto revolucionário” para não criar chatices nalguns grupos empresariais!...

Isto é: uma das causas da decadência europeia, é o “deus dinheiro” imperar por todo o lado, da extrema- “direita” à extrema- “esquerda”, salvando-se honrosas excepções, capturados os Partidos e os Sindicatos, os Sistemas Políticos montados a seu gosto.

Quando vemos a defesa conservadora de Sistemas Políticos assim, tais indivíduos não passam de uns HIPÓCRITAS!

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