O Grupo Parlamentar do Partido Socialista deu entrada, hoje, na Assembleia Legislativa da Madeira, a um projeto de resolução a recomendar ao Governo Regional a implementação imediata de um projeto-piloto de rasteio do cancro do pulmão na Região.
Em comunicado, os socialistas explicam que a iniciativa foi apresentada no Dia Mundial do Cancro “e numa altura em que perfaz um ano desde que o então secretário regional da Saúde e Proteção Civil, Pedro Ramos, anunciou publicamente a intenção de pôr em prática o referido rastreio, ainda em 2025, mas sem que, até ao momento, tenham existido quaisquer desenvolvimentos relativos à sua implementação”.
Marta Freitas, deputada do PS, alerta para a particular relevância que o cancro do pulmão assume no que se refere à incidência de tumores malignos na Região, dando conta que, “em 2023, se registaram 106 óbitos por neoplasia maligna da traqueia, brônquios e pulmão, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 41,5 óbitos por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas entre as doenças oncológicas na Região”.
Sublinha a parlamentar socialista, que “os tumores malignos constituíram a segunda principal causa de morte na Região em 2022, sendo a neoplasia maligna da traqueia, brônquios e pulmão a principal causa de morte por cancro”.
Apoiada em estudos, destaca que “a Região Autónoma da Madeira, apesar da sua menor dimensão populacional, apresenta uma carga relevante de doença, marcada por elevada mortalidade e diagnóstico frequentemente realizado em estádios avançados, em linha com o padrão nacional”.
Marta Freitas salienta que a evidência científica internacional mostra que a ausência de programas estruturados de rastreio contribui para o diagnóstico tardio, apontando para o potencial benefício da implementação de estratégias de rastreio baseadas em tomografia computorizada de baixa dose em populações de alto risco.
A socialista constata que a Região dispõe de programas regionais de deteção precoce da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e de iniciativas de cessação tabágica, que criam condições técnicas e logísticas favoráveis à implementação de um programa estruturado de rastreio do cancro do pulmão. Contudo, lamenta que, passado um ano desde o anúncio do rastreio por parte de Pedro Ramos, a medida não tenha conhecido qualquer avanço.
Marta Freitas entende que “a implementação imediata de um projeto-piloto regional de rastreio do cancro do pulmão, dirigido a populações de alto risco e baseado em tomografia computorizada de baixa dose, à semelhança do que se verifica em território continental, constitui uma medida de saúde pública sustentada em evidência científica, alinhada com a estratégia nacional e europeia, adequada à realidade epidemiológica da Região Autónoma da Madeira e com elevado potencial de redução da mortalidade evitável”.