Assinalamos, este fim de semana, o 94º aniversário da Companhia dos Bombeiros Sapadores de Santa Cruz. Um momento de comemoração e balanço, tendo sido destacado o salto qualitativo que esta estrutura municipal alcançou nos últimos anos, em termos de modernização infraestrutural, técnica e de reforço de meios humanos. A data também coincidiu com o evento climático grave que assolou Portugal continental, especialmente a zona centro do país, reclamando vidas, bens e destruindo património florestal, como o histórico pinhal de Leiria, plantado por D. Afonso III no século XIII, e que já havia sido devastado pelos incêndios em 2017.
É um momento de solidariedade para com a população atingida, de trabalho de recuperação, mas também de reflexão sobre os desafios que a emergência climática exige de todos. É um evento catastrófico que deixa clara a necessidade de um investimento sério em Proteção Civil, e a urgência de, no futuro, encontrarmos fontes de financiamento para o reforço do investimento nestas áreas que as alterações climáticas tornam emergentes.
Em Santa Cruz o investimento em socorro, segurança e proteção de pessoas e bens tem estado no centro das nossas políticas. Entre 2023 e 2025, a média anual de investimento situou-se nos 800 mil euros anuais, tendo o ano de 2025 sido o ano de maior investimento com quase um milhão de euros.
Parte importante deste investimento foi a renovação de efetivos dos nossos Sapadores, que teve início com a profissionalização do Comando, seguindo-se a aposta em novas escolas de recrutas em 2024 e 2025, representando 39 novos bombeiros. Antes deste reforço, a última recruta ocorrida em Santa Cruz datava de abril de 1999, ano em que foram admitidos 11 novos bombeiros. Ou seja, há 25 anos que não era assegurado o devido reforço numa área extremamente exigente, na qual urge sempre aliar a experiência a sangue novo e à necessária renovação de meios. À data, a Companhia de Bombeiros Sapadores de Santa Cruz detém 92 bombeiros sapadores.
O investimento chegou também ao Serviço Municipal de Proteção Civil, nomeadamente em ações de sensibilização, criação de faixas de segurança e gestão de matéria combustível, limpeza de ribeiras, limpeza de terrenos municipais, e atualização do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil.
Fizemos história nestes últimos 12 anos, num percurso não isento de dificuldades, e de muitas incompreensões, uma delas relacionada com a polémica Taxa Municipal de Proteção Civil, que mais não faz do que pedir um pequeno e irrisório contributo a todos, para um bem maior. A mesma, contudo, além de um processo na justiça, tem servido de arma de arremesso político numa atitude contrária aos interesses da população e à responsabilidade que nos deve unir a todos.
Não tenhamos dúvidas de que, com as alterações climáticas e com a crescente pressão no território, a Proteção Civil terá de ser, cada vez mais, daquelas áreas que exigem o compromisso e a responsabilidade de um coletivo. Sendo, por isso, necessário que se adequem os mecanismos, as fontes de financiamento e a cultura de uma responsabilidade partilhada.
Vivemos num país em que, quando ocorrem catástrofes, normalmente todos se viram para as autarquias como organismos mais perto da população e da realidade de cada localidade. Até aqui percebe-se a opção, mas já não se percebe quando essas responsabilidades transferidas para o poder local não vêm acompanhadas do respetivo reforço financeiro. Ou seja, não basta aos governos sacudir a água do capote, urge que essa transferência de responsabilidade se efetive de forma consistente, não apenas numa ajuda direta às autarquias, mas também não criando entraves a novas formas de financiamento. Só assim poderemos dar passos em frente e responder com eficácia à emergência climática e aos seus desafios.