MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

2/02/2026 07:35

Já muito se falou sobre o subsídio de mobilidade e da polémica portaria que meteu marcha-atrás nos direitos dos madeirenses.

É preciso começar por dizer que o atual modelo de subsídio de mobilidade, em vigor desde 2015, é no geral muito positivo. É inegável que é bom ir ao Continente ou aos Açores por 79 euros, ida e volta, como pode ser comprovado pelo número cada vez maior de madeirenses que viajam para fora da Região.

Mas também é preciso dizer que esta não é uma benesse, mas sim o cumprimento de uma OBRIGAÇÃO do Estado, que tem como dever assegurar a continuidade territorial.

Mas por mais vantagens que este modelo tenha – e tem – o ponto fraco, desde o início, foi o facto de termos de adiantar o valor da viagem e só depois receber o reembolso do Estado. Isto não acontece em mais nenhum caso; nos transportes terrestres e fluviais, o passageiro só paga o preço fixado no título de transporte. A subsidiação é feita diretamente às transportadoras, através de indemnizações compensatórias. São àquelas empresas – e não aos passageiros – que são exigidas as declarações de não dívida às finanças e à segurança social.

Por que razão há-se ser diferente no transporte aéreo?

A razão aparente parece decorrer do receio das companhias aéreas nos (crónicos) atrasos dos pagamentos do Estado.

É caso para perguntar: e que culpa temos nós do Estado ser caloteiro?

Esta é também a solução para o transporte aéreo, testada com sucesso com o Programa Estudante Insular. Que o Governo da República tenha a humildade de seguir este nosso bom exemplo, em vez de nos tratar como pedintes e sem respeito, e teremos o problema resolvido.

Depressão Kristin varre tudo, até o pudor

Um forte vendaval assolou a região centro do país, deixando uma vez mais a nu as fragilidades do país.

Como já vem sendo habitual nestes acontecimentos, choveram críticas à atuação das entidades públicas.

A verdade é que as coisas não têm corrido bem para o Governo da República, com um anúncio tardio do estado de calamidade, uma Ministra que esteve menos presente do que o necessário, um Ministro que mostrou mais do que devia do seu trabalho de bastidores, e com críticas de populações e autarcas sobre a falta de respostas imediatas no terreno.

Ainda assim, não é sério culpar-se o Governo de tudo, já que a questão vem muito detrás, fruto do nosso crónico problema com o planeamento, organização e coordenação, que perpassa governos, de direita e de esquerda. Muito provavelmente seguir-se-á a constituição de uma nova comissão de inquérito independente para avaliar as respostas à catástrofe, que no essencial deixará as coisas mais ou menos na mesma – entretanto, os “peritos” já debitam sabedoria em todos os canais.

Mas destes acontecimentos ressalta, uma vez mais, a solidariedade do povo português, cuja generosidade consegue colmatar as carências das respostas públicas imediatas. É um padrão dos portugueses, que conseguem a superação nos momentos mais difíceis, mesmo que em tempos ditos normais tenham muita dificuldade em se organizar.

Em plena campanha para as presidenciais, António José Seguro teve todo o cuidado para não ser acusado de aproveitamento político. Fez bem e o que o momento exigia.

Já André Ventura não resistiu à tentação e lá foi para Leiria uma e outra vez se mostrar ao país ao lado do povo, disparando críticas ao governo como quem descarrega uma metralhadora e distribuindo água e sardinha em lata às populações afetadas. À chuva. Valente.

Que um e outro tenham a resposta que merecem no próximo domingo.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Investigador na área da Educação
2/02/2026 07:40

A adesão de Portugal à então CEE em 1.1.1986 é considerada um marco histórico, que transformou o país nos últimos 40 anos celebrados em 2026.

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