Pedro Fernández, médico luso-venezuelano com origens na Ribeira Brava que foi ontem libertado na Venezuela, deverá passar a próxima madrugada em casa dos pais e seguir amanhã para Mérida, onde se vai reencontrar com a mulher e a filha. A informação foi transmitida ao JM pelo deputado social-democrata Carlos Fernandes, que falou diretamente com o médico após a sua libertação.
Segundo o parlamentar, Pedro Fernández mostrou-se “muito agradecido” pelo apoio recebido, destacando em particular a ajuda de Portugal e o papel da comunicação social, bem como a pressão internacional exercida nos últimos meses. Carlos Fernandes descreveu o médico como “muito feliz e contente”, ainda a procurar inteirar-se da atualidade política e social, depois de um período em que esteve incomunicável e com acesso limitado a informação do exterior.
O deputado relatou ainda que o momento foi emocionalmente marcante, não só pelo reencontro com familiares próximos, nomeadamente irmã e primos, mas também pela expectativa de voltar à normalidade, “dormir na sua cama” e estar junto dos seus.
Apesar do alívio inicial, o processo judicial ainda não está totalmente encerrado. Pedro Fernández deverá comparecer em tribunal na próxima quinta-feira, altura em que será conhecida a natureza da sua situação legal. Em causa poderá estar a imposição de apresentações periódicas às autoridades, com periodicidade ainda por definir, ou a confirmação de uma liberdade sem condicionantes.
Para já, o sentimento descrito por Carlos Fernandes é de balanço “muito positivo”, marcado pela gratidão e pela esperança de que esta nova etapa represente, nas palavras transmitidas pelo médico, uma liberdade plena.