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Artigo de Opinião

1/02/2026 07:30

Como previsto, lá vamos nós para segunda volta nas eleições para eleger o Presidente da República Portuguesa. Uns dizem ter escolha fácil, entre o enviado da providência e o salvador do superior regime, outros dizem ter uma escolha difícil, entre o intragável varredor do corrupto regime e o soporífero conservador da mediocridade do mesmo. Uns não querem mais do mesmo (sentem-se deixados de fora), outros não querem disrupção (antes um depenado pássaro na mão, que dois pássaros que voem longe e alto). Eu? Eu padeço de falta de escolha. Explico já.

Começo por tentar esclarecer o que é que eu entendo por socialista. Entendimento esse que, confesso, foi sendo deformado pelas leituras que ainda teimo em não largar (não tenho emenda, sei-o bem). Para mim (insisto), ser “socialista” não está colado ao eixo esquerda-direita. É acreditar que não é possível haver liberdade, ou sociedade, sem haver um Estado omnipresente e musculado que aponte a “liberdade” no sentido correcto. No fundo, “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”, como discursou Mussolini. É que isto de ser livre tem que se lhe diga, e não é para qualquer um, em qualquer condição, ou não deve ser — para um socialista. É certo que existem diversos tons de socialismo, desde o que quer conduzir todos os aspectos da vida do indivíduo (pela goela abaixo, se necessário), até ao que apenas quer que o indivíduo vote nele, agradecido por todas as benesses que transforma em direitos. É que isto de chamar “direito” a seja o que for que implique o condicionamento do produto do suor alheio é, para mim, um abuso de linguagem (insisto: não tenho emenda). Numa forma mais lata e simplificada, socialista é quem pretende a subjugação, pela força, do indivíduo ao colectivo (guiado por eles, claro).

Dito isto, e sem subterfúgios moralistas, que tonalidade de socialismo têm os dois finalistas do presidencial concurso de misses? Um di-lo à boca cheia: é socialista e até já dirigiu o partido da denominação. Não tão socialista como alguns actuais desse partido, dizem, mas não defende que o Estado solte as grilhetas dos produtivos da nação, mas talvez aceite que se alonguem as correntes (talvez, porque se recusa a ser claro e peremptório sobre seja o que for, a não ser na certeza de que é socialista).

O outro candidato diz-se anti-socialista, mas todas as menções que fez que implicariam alguma retirada do Estado dos ombros do indivíduo (das que me lembro), negou-as posteriormente. Quer que o bolso contribuinte aguente empresas do Estado. Quer que o indivíduo pague o que outros usam. Quer que o mercado seja domesticado, à pancada, se necessário, em prol do colectivo. Quer, também, que o indivíduo subjugue a sua conduta privada aos desígnios morais do Estado, em nome do colectivo.

Do meu ponto de vista, portanto, tendo eu uma vil e profana veia libertária, estou perante uma escolha impossível — ou antes, inexistente. Escolher entre um socialista confesso e um socialista em negação é escolher um socialista. Na função a que se candidatam podem limitar, ao ponto de impedir, toda e qualquer tentativa dos actuais governantes para libertar, um bocadinho que seja, o indivíduo do Estado. Concedo que isto até possa ser um alívio para estes socialistas de tons menos carregados uma vez que não fazer dá mais votos no curto prazo, mas a mim, desculpem-me, incomoda-me.

Resumindo: não voto em socialistas, sejam eles assumidos, ou em negação.

Não tenho emenda.

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