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Artigo de Opinião

Diretor

31/01/2026 08:05

Joga para a frente”, gritam adeptos enfurecidos quando a equipa se deixa enredar pelo adversário perto da sua própria baliza.

“Joga para a frente”, atira o treinador. E eles, às vezes, jogam. Pontapeiam para meio-campo, para a bancada ou para as bananeiras. O importante é tirar a bola da zona de perigo.

É nessa fase de jogo que estamos nesta espécie de clássico entre Funchal e Lisboa sobre o Subsídio Social de Mobilidade. Cá e lá, todos sabem o que se passa, todos conhecem o caminho a seguir e nem é preciso recorrer ao VAR.

Mas andam os jogadores a fazer rodriguinhos e os adeptos desta nova modalidade começam a desesperar. Não é para menos.

O modelo que vigora não é perfeito, como assumido desde que foi criado para ser revisto pouco depois. Mas não foi. A revisão foi adiada ano após ano. Esse modelo, mesmo assim o melhor que conhecemos, acabou por expor fragilidades.

E vem agora a temível mão do Estado, pesada e fechada, castigar os das ilhas. Ignoram o que é insularidade, nunca ouviram falar de dupla insularidade, nada sabem da dependência de barco ou avião e pensam que a continuidade territorial é para contornar o retângulo.

Neste jogo de solteiros contra casados, tem valido a união dos ilhéus. Essa tática tem obrigado o adversário centralista a adiar aquela declaração de não dívida – válida apenas para quem vive nas regiões autónomas. Primeiro foi até ao fim de janeiro, agora até ao fim de março.

Entretanto, o tema da mobilidade domina atenções na Assembleia regional e vai a São Bento e salta de ministro para ministro até bater no primeiro-ministro.

“Joga para a frente”, diz-se em Lisboa. E eles jogam.

Enquanto o desafio não acaba, o madeirense espera.

E são vários os assuntos em lista de espera por estes dias. Só desta semana saltam à vista diversos casos onde aguardar é a palavra de ordem.

Esperam as vítimas de agressões sexuais no seio da Igreja Católica por compensações que demoram e por processos demasiado intrincados.

Esperam os idosos por um lugar. Claro que o ideal seria o seu lugar, a sua casa. Mas se não pode ser, que fiquem num lugar a que possam chamar seu. E todos sabemos que um corredor no hospital é de todos e não é de ninguém.

Esperam madeirenses pela libertação de familiares presos políticos na Venezuela. Quase um mês depois da intervenção americana, o país sai da agenda mediática internacional e caminha para uma normalização ainda muito débil.

Esperamos todos pela irónica salvação da Capela de Nossa Senhora da Vida, no Arco da Calheta. O pequeno templo em cima da encosta ameaça colapsar a qualquer momento.

A lista de espera é grande e sem prazo de resolução. Até lá, aplica-se a velha arte de jogar para a frente.

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