Neste momento devem estar a pensar, “Mas que raio de título é este?” Foi inspirado numa canção infantil que ouvi há tempos. Só tem uma frase que é a seguinte: “Eu vou comer, comer, comer laranjas e bananas” só que depois se repete a letra usando uma das cinco vogais de cada vez. Quando usamos o “i” fica assim: “iu viu quimir, quimir, quimir lirinjis i bininis”.
Ao ouvir a canção, o meu pensamento resvalou logo para a Câmara de S. Vicente, em que a população decidiu dar o voto ao Chega por achar que ele ia destruir os laranjas. Mesmo sem conhecer de que forma isso iria acontecer, decidiram assim. Agora a Câmara está numa situação complicada de resolver. O líder supremo do partido a nível nacional diz que são questões regionais e o #pequenomenossupremolíderregionalmassempreobedienteaosupremolídernacional diz que está tudo bem. A população pensou que ia comer laranjas e bananas e parece que foi defraudada. É muito mais fácil culpar os outros do que se envolver e tentar encontrar soluções.
Lerenjes é benenes.
Já a nível nacional, esse mesmo partido que se diz anticorrupção, anti tacho e antidemocracia tem cada vez mais vereadores eleitos a abandonarem o partido e a acusarem-no de ser pouco democrático (ahahahahahahahaha. A piada faz-se por si própria). Juntaram-se maioritariamente ao PSD, mas tb ao PS, veja-se o caso de Coimbra, para se garantirem maiorias nos executivos.
Lirinjis i bininis.
Na Câmara de Lisboa o vereador sem pelouros Bruno Mascarenhas contratou julgo que 10 assessores, entre eles uma cabeleireira para alegadamente fazer aconselhamento dos espaços verdes. Já Mafalda Livermore, namorada desse vereador chegano, foi exonerada da administração dos Serviços Sociais da Câmara por se ter descoberto que será proprietária de vários imóveis com habitações clandestinas e sem condições de habitabilidade arrendadas a imigrantes. Parece que se intitulava de advogada e afinal estava inscrita no curso de direito. São as tais pessoas de bem. Bem mentirosas, bem sem princípios, bem tachistas e por aí fora. E há quem vote nelas e as defenda.
Loronjos ó bononos.
Por cá, de cada vez que temos de usar a maravilhosa plataforma da mobilidade para recebermos a comparticipação a que temos direito, vemos que os laranjas do continente são, afinal, bastante azedos com os governos laranjas das regiões autónomas que, para eles, devem ser uns bons bananas. Andaram os laranjas regionais a pedir os votos nos laranjas a nível nacional porque iam ser muito bons para os ilhéus e saiu esta maravilhosa paga que nem uma palavra lhes arrancou da boca, nem uma saída do hemiciclo. Nada!
Lurunjus u bununus.
Já Luís Montenegro primeiro-ministro decidiu que não havia problema algum em colocar os serviços jurídicos do Estado a trabalhar de graça para Luís Montenegro empresário no caso Spinumviva. E achou tão natural fazê-lo que até enviou esses pareceres ao Tribunal Constitucional, como anexos do recurso que fez. Colocar o Estado ao seu serviço particular não lhe causou estranheza alguma. Nada a que na Madeira não estejamos habituados. Estamos fartos de perceber que não há quaisquer fronteiras entre o poder regional e o local. Fora o resto.
Talvez um dia possamos cantar de forma apropriada a canção infantil:
Eu vou comer, comer, comer laranjas e bananas!