É Abril de primavera, de mais calor, de natureza a despertar, de colorir campos e montes...
É Abril de mudança, de recomeço, de luta, de esperança.Caiu-me bem ser inundado por vozes assertivas a valorizar um hino que nos liga, quando fala dos egrégios avós, dos que nos hão de guiar à vitória, do nobre povo e nação valente, quando nos convida a levantar de novo o esplendor dum país de que somos parte, quando vai descobrir a voz por entre memórias na bruma dos tempos e da história construída por tantos, por todos nós.Claro que é um hino a relatar uma época, a falar de levantamento às armas o que, nesta altura de guerras e ódios, tem um sabor amargo a destruição e morte. Os canhões contra quem somos convidados a marchar serão as dificuldades da vida, as injustiças sociais, os problemas na saúde, na justiça, na educação, os desempregos, os salários iníquos, os direitos conquistados que se pretende derrubar...Esses serão os canhões contra quem temos de marchar, reconquistando igualdade, fraternidade, sentido de comunidade e pertença.
Em algumas celebrações de Abril, da reconquista da dignidade dum povo amordaçado, ouvi um coro vindo da alma de todos os participantes, com a genuinidade de sentirmo-nos irmanados num destino que nos congrega, nos torna cúmplices e solidários...Sim, gostei de ouvir a voz dum povo que se agiganta quando se une, se solidariza, se motiva, se dignifica.Assim, viva Abril
Outro retalho que trago é do homem escolhido, há quase um ano, para Papa.
Não apresentará o carisma de Francisco, a descontração e genuinidade da sua postura, a cativação da sua originalidade mensageira, a sua facilidade de aproximação das gentes.Começa, porém, a deixar a marca da sua mensagem direta, simples, segura.Não teve receio em chamar a atenção dos senhores da guerra, deixando muito desconforto em líderes que nos comandam sem norte certo, nem clareza de posições.Em Angola, não se inibiu de apelar à reconciliação, à solidariedade e ao compromisso com o bem comum.Referiu-se à reconciliação ética, alertou para a justiça social, apelou à paz duradoura.Apelou a uma atuação mais ética e comprometida.Falou sem peias do momento marcado pelos conflitos, arrasando os que só pensam tudo resolver pela força das armas.Falou de Cristo como a Luz.Mas não se inibiu de dizer aos jovens em Bata que a luz mais resplandecente é a dos seus olhos, dos seus rostos, do seu sorriso dos seus cânticos e dançares, porque Cristo é alegria, sentido, inspiração e beleza para a vida.Reafirmou que Cristo vem para nos guiar, não para roubar a nossa liberdade.Ao intitular-se de bom pastor, realça que o bom pastor é o que ama e conduz as suas ovelhas, o que entra pela porta do redil, vem à nossa procura quando nos tresmalhamos, trata das feridas quando nos magoamos.O Bom Pastor não vem como um ladrão roubar a nossa liberdade, mas pretende conduzir-nos pelos caminhos do bem. Não vem sequestrar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria e experiência.Além disso, Leão XIV convida-nos a vigiar o redil do nosso coração e da nossa vida, porque, quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la.Os ladrões têm muitos rostos. São aqueles que sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade, que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida.São estilos de vida marcados pelo consumismo, que nos esvaziam e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos.Sem contar com os «ladrões» que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.