A cultura ambiental dos estudantes ao chegarem ao ensino superior é “muito satisfatória”, em termos de conhecimento, “satisfatória”, ao nível da sensibilidade, mas mais fraca na componente das práticas ambientais.
Os dados foram revelados hoje, durante a apresentação dos resultados preliminares do projeto de investigação “Avaliação e Promoção da Cultura Ambiental no Ensino Superior”, liderada pela Universidade da Madeira, mas que abrangeu vários estabelecimentos de ensino do País.
Embora só deva ficar concluído em agosto, o estudo, que tem o objetivo de medir a evolução da literacia ambiental no ensino superior em Portugal, aprecia três componentes: conhecimento, sensibilidade e prática ambiental.
“O melhor resultado que nós temos à saída do ensino obrigatório e entrada no ensino superior é ao nível dos conhecimentos”, disse Hélder Spínola, investigador responsável do projeto. Este item alcançou valores “muito satisfatórios”, apresentando uma média de “68,8% de respostas corretas”, o que é “um bom indicador”.
Na componente da sensibilidade para as questões ambientais, os resultados também são “satisfatórios”. Numa escala de 1 a 5 valores, em média, a posição é de 3,7. Isto significa que “os estudantes, quando saem do ensino obrigatório, posicionam-se numa visão do mundo já muito próxima da visão ecocêntrica e muito afastada de uma visão antropocêntrica”.
A componente das práticas é a que apresenta resultados mais fracos. “Há um certo distanciamento entre aquilo que as pessoas sabem, aquilo que as pessoas sentem e aquilo que, efetivamente, as pessoas fazem”, explica Hélder Spínola. Usando uma escala de prevalência, que vai de Nunca (1 valor) a Sempre (5 valores), a componente das práticas fica-se pelos 3,2 valores, o que quer dizer que “a média é de um pouco superior a ‘Às vezes’”, na assunção de práticas ambientais.
De referir ainda que os estudantes do sexo feminino têm níveis mais elevados nas atitudes e nas práticas do que os alunos do sexo masculino.
O estudo indica também que os conhecimentos e sensibilidade dos estudantes aumentam ligeiramente ao fim do segundo ano de ensino superior, mas nas práticas até há uma contração de 3,2% para 3,03%. Ainda não há dados sobre o terceiro ano.
Embora o estudo ainda não esteja concluído, há uma recomendação que os investigadores já fazem. “Para promover as práticas, e não apenas o conhecimento e a sensibilidade, a educação no ensino obrigatório terá de ser mais virada para o contacto direto com as realidades, para mobilizar os estudantes na resolução de problemas locais e para que consigam sair dos muros da escola e se envolverem na implementação de soluções”.