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Artigo de Opinião

Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz

29/04/2026 08:00

Governar o concelho que me viu nascer é a honra de uma vida; ter a oportunidade de melhorar aquilo que me foi confiado pela população é um desafio que abracei e abraço em consciência; trabalhar para que tudo se efetive é o desígnio que me dá força para prosseguir.

A minha vida fez-se sempre de trabalho, e essa circunstância não me assusta, não me cansa e não me demove. Mas, desde que estou na política ativa, percebi que a estes desafios juntam-se outros que nunca enfrentei e que se prendem com ter de gerir as mentiras reiteradas, os ataques pessoais, as narrativas alternativas que falham a verdade e a ética, a instrumentalização de organismos que deviam prosseguir a sua nobre função, mas servem de arma de arremesso político à moda do particular conceito de democracia que na Madeira se pratica há várias décadas. E quem está na política essencialmente para trabalhar, logo verifica que terá de aprender a lidar com outras realidades de quem exerce o poder pelo poder, de quem tem nas lógicas partidárias e na sobrevivência política um método de gerir, não a coisa pública, mas uma junção de interesses particulares de um grupo alargado que montou um sistema e dele depende.

A forma como tem funcionado, no último ano, a Assembleia Legislativa da Madeira é disto exemplo, e só isso explica o facto de as autarquias terem vindo a dominar o debate, com enfoque na Câmara de Santa Cruz.

Ou seja, o órgão deliberativo que devia a estar a fiscalizar a ação do Governo Regional e a lutar pelos direitos dos madeirenses, está transformado numa espécie de Assembleia Municipal sem legitimidade, reduzido à função de guerrilha política. Na prática, temos uma Assembleia ao serviço dos interesses partidários do PSD, ainda a digerir derrotas eleitorais e a reclamar que são os campeões do bem estar dos madeirenses.

Mas, quem aqui vive, ou seja, os madeirenses, assistem à sucessiva degradação do seu poder de compra, à dificuldade de um mercado imobiliário com preços não acessíveis, a um sistema de saúde que continua a colapsar, a não dar respostas, com médicos e enfermeiros a pedirem escusa de responsabilidades por falta de condições, com doentes semanas à espera nos corredores da urgência hospitalar e com listas de espera que representam falta de qualidade de vida e sofrimento para muitos.

Está a Assembleia Legislativa da Madeira a discutir estes e outros temas cruciais para os madeirenses? Claro que não! Ainda recentemente os deputados passaram mais de seis horas numa audição parlamentar a propósito da ETAR do Caniço. Tentou-se passar a ideia de inoperância e até de neglicência por parte da Câmara de Santa Cruz relativamente a um equipamento cujo funcionamento deficitário é estrutural e que funcionou, pelo menos durante nove anos, nos mesmos moldes em que hoje funciona, só que na altura sob a alçada do Governo Regional. E que o Governo faz? Usa também a ETAR para fins políticos, pois se por um lado acusa Santa Cruz de inoperância, por outro trava o que podíamos fazer ao não passar a titularidade daquele equipamento para a alçada municipal, o que impede candidaturas a fundos e a própria intervenção da autarquia naquele equipamento.

A estratégia do PSD parece clara, instrumentalizar todos os órgãos políticos e tudo o que esteja á mão, para voltar a controlar tudo o que perdeu por culpa própria, esquecendo-se que o povo tem memória e que o PSD já não tem a força de outrora. E se não tem a força de outrora é porque os madeirenses já perceberam a jogada. Já perceberam que a agenda política está mais para campos de golfe, para protecionismo a grandes grupos económicos, para o show off político da Madeira de sucesso, que o cidadão comum não sente como tal.

E este Governo que tem nas autarquias que não estão debaixo da sua cor política um alvo a abater, é o mesmo que retém verbas indevidas e nunca transferidas para as Câmaras como são as do IVA, e é o mesmo Governo que, apesar de andar a clamar que faria melhor em Santa Cruz, fica desmascarado pelos número do PIDDAR que revelam que, entre 2007 e 2024, o nosso concelho deveria ter recebido cerca de 323 milhões de euros de investimento do Governo Regional, mas na realidade ficou-se pelos 92,5 milhões.

Quem não está na política com este espírito e com esta noção retorcida de serviço público, resta continuar a trabalhar e esperar que a população continue a distinguir seriedade e trabalho de ruído e desonestidade.

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