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Artigo de Opinião

Farmacêutico Especialista

29/04/2026 08:00

Numa dessas horas em que se vê a vida acontecer, qual observador invisível que contempla o que o rodeia sem interferir, constatei a dura realidade da vida actual em sociedade, o isolamento autoinfligido, e como tal a regressão do modelo da vida em sociedade.

A organização do modelo social é obviamente dinâmica e evolutiva, desde há trezentos mil anos que assim o é. Se há lição que podemos tomar como certa, é o da necessidade de uma vida em comunhão com os outros, um relacionamento baseado em Amor, Paz e espírito de entreajuda, idealmente com o foco num objectivo comum, tendencialmente superior, se quisermos um desígnio que renuncie espontaneamente à conveniência própria, em função de um bem comum superior.

A organização social é fundamental e a solidez da mesma deverá assentar em princípios referenciais nobres, de elevação, trilhando o caminho do bem, em verdade e virtude, e podendo observar modelos díspares, os mesmos não resultarão se o foco for no Eu.

E infelizmente estamos cada vez mais sós. Há um egoísmo latente na sociedade, que estou certo que sendo multifatorial, tem por base a criação da ideia comprada de que podemos ser Felizes sozinhos, em 1977 João Gilberto deu-nos a resposta em Wave “Fundamental é mesmo o Amor, É impossível ser feliz sozinho”. Para além dessa ideia criada, a tecnologia veio isolar-nos socialmente, e este isolamento está a empedernecer a sociedade.

Direi que a tecnologia é um catalisador para este isolamento. Os smartphones à cabeça e os tablets, desligaram as pessoas da realidade, vivem verdades suas, verdades compradas, verdades que são mentiras ou ilusões, isto porque abandonaram a realidade e tornaram-se reféns conscientes da tecnologia e daquilo que ela lhes proporciona, são no fundo reféns conscientes e voluntários.

Este pseudo empoderamento e falsa autonomia só levam à ostracização.

Basta deambularmos um pouco pela cidade e cada vez mais se valida o desligar das pessoas para com as outras que as rodeiam, as pessoas andam sós com os seus smartphones num mundo à parte, e a existência anda por estes dias, vazia.

Estou certo que os smartphones, na sua criação tinham um objetivo positivo, mas a subversão da sua utilização, levou à realidade actual, com o sonegar da vida em sociedade, com alteração do padrão do modo de relacionamento interpessoal, com egoísmo e isolamento.

O comodismo de ter tudo numa mão, emails, internet, compras, ócio... teve como trade-off a liberdade, ficámos reféns da tecnologia e sem tempo para viver o mundo real.

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